terça-feira, outubro 29, 2013




 

À  janela da vida

A vida vive-se, é certo, vivendo-a. Só assim podemos perceber quem nos ama e quem nos finge amar.
Aqui chegados, experimentados até limites pouco entendíveis, concluo que o grande mal esteve em mim.
Concluo que sempre que estive de acordo com a vida, estive de mal comigo mesmo. Ao contrário, quando me senti procurar a vida, de novo ,esta fugiu-me.
Nunca fiz nada para mostrar o que não sou, ou não quero ser. Sempre que quero mostrar poder ser algo diferente, sei quanto isso me custa.
E hoje quereria ter a capacidade de me sorrir de toda a trapaça em que me vi, repentinamente, envolvido. Mas na verdade continuo a sentir um mal estar por não perceber.
Recorro por isso  a qualquer coisa que me faça não pensar na crueza da insensibilidade mentirosa, que continua a ser a verdadeira chave do  mistério. E enquanto não obtiver a resposta cabal, lógica, entendível, durmo e desdurmo,  sonho e acordo, recriando suposições. Histórias confusas,  que me fazem sentir vogar num mar emporcalhado. Fisicamente a mentira, queira ou não, oprime-me. Há certas horas que tudo parece parado à minha volta. O mundo e os seus acontecimentos chocam-me, e pouco m ais. O mal que acontece ,parece-me agora indiferente, quando dantes me sobressaltava.
Tento a todo custo recuperar a inteireza da minha personalidade, neste estado de consciência de não ter sonhos.Nem  sequer consciência deles.
SF-Out 2013

sexta-feira, outubro 25, 2013




TO BE OR NO TO BE….


Sócrates, ontem e de uma penada destruiu os mitos com que o pretenderam assassinar.

Eu gosto de homens que lutam atá ao fim. Não esqueço os seus erros. Mas não conheço nenhum primeiro Ministro que os não tenham feito. Bem piores....bem  piores...
Mas vamos lá ...
Em primeiro, Sócrates mostrou que poderia ter tirado todos os cursos, quaisquer que fossem de uma qualquer Universidade das muitas que se arrastam por aí a vender mestrados e doutoramentos (para encaixilhar).

Sócrates é um Indivíduo  voluntarioso,lutador e irritadiço. E é destes que eu gosto. Amorfos é que nunca.

Nos Governos de Sócrates sabia-se quem mandava. Agora é que descobrir quem manda, é obra de monta.

O País e Sócrates, foram tramados. Por dois indivíduos: Cavaco Silva e Passos Coelho (ontem num programa da RTP, isso foi confirmado, pois há muito se sabia. Esta capitulação á Troika, foi pura e única responsabilidade daqueles tipos. Ambos uns pingentes da politica.

E claro: Sócrates não anda por aí como aquele  faz-de-conta politico  Santana Lopes. Não Sócrates está aí, e só uns tontos é que não percebem onde Ele quer ir.

Eu sempre gostei do Sócrates: antes e depois. Tínhamos um politico. Agora temos uns rapazitos à espera que a casa lhes caia em cima. E Seguro, tem de se definir. Já demora muito em se impor   como alternativa

 E esta de não admitir que um individuo volte ao que sempre fez, parece-me um verdadeiro atentado, Para uns saudosista direi: até Salazar o fez

SF
Este papa dinheiro, com cara de burriqueiro, ,chamado Cartroga, a mamar despudoradamente na teta  da vaca que criou, veio com  aquela do julgamento. Ora a haver alguém a ser julgado, é  este almocreve que mensalmente enche os alforjes.

terça-feira, outubro 15, 2013



VALDEMAR AVEIRO e os seus murmúrios


Já o tinha referido: na passada tarde de dia 10 fui à LELLO, monumento de uma beleza perturbante, carregadinha no seu porão de tudo quanto, de escrita, se publica neste País, onde um autor faz o possível e os impossíveis para se ver na frontaria do livro esparramado na montra…

Escrever….escrever….sem nunca mostrarmos verdadeiramente quem fomos e o que somos. Porque a verdade é que o que fazemos ou dizemos, é apenas uma parte de nós.

Ora eu fui assistir à apresentação do livro com que o meu amigo Valdemar Aveiro, encerra (por ora) a sua trilogia sobre a pesca do fiel amigo, não já no capítulo da Faina Maior (título soberanamente copiado do «Grand Métier», francês) mas na Faina Menor, onde curiosamente, aqui sim, o Capitão era o maior, o único.

Não sei porque Valdemar (ou alguém por Ele) escolheu o título poético «Murmúrios do Vento».

Basta ir à página 121 e ler:

Quando ao vento, insensível ao estratagema, bufava iracundo (…) rasgava em pedaços as velas, partia mastaréus…

Ou

 O primeiro, de humores muito variáveis, passava de uma postura pachorrenta, de calma podre, a um ciclone medonho…  

Não; não há naquela vida que o Valdemar nos consegue contar de um modo leve, misturando para isso a dureza com as saborosas estórias do rancho, como que a dizer-nos… «bem a vida era assim, mas aquela gente tinha coração, alma, e até…sabia rir….». Um homem não é de pau. E por isso «as garinas» aparecem e desaparecem, mas curiosamente, sempre respeitosamente, cumprindo a sua missão.

Na pesca não há lugar para eflúvios poéticos. Aquilo é para quem deixa a poesia em interlúdio, página marcada, à espera de voltar à paz quente da lareira familiar, que Valdemar sempre teve nos intervalos da rudeza descabelada daquela vida.

A maneira privilegiada com que Valdemar recria as relações humanas, que promove até ao cuidado extremo de distinguir o lugar do «camião cisterna» a que por matreiro interesse senta à sua direita, permite perceber como teria de ser um excelente e matreiro pescador. Valdemar só nunca ofereceu um vintage ao bacalhau, para melhor o enloilar, foi porque o ganídeo é comprovadamente alérgico ao dito. Senão…   

O Dr. Aguiar foi de novo o apresentador. E fê-lo bem, de um modo inteligente, capaz de captar a atenção aos presentes (o actor não é o apresentador…): foi buscar ajuda ao Arq. Paradela, para partilhar a sensação de que este livro é mais do que lá está. É uma partilha de quem, (talvez abusando da primeira pessoa – o Valdemar é isso mesmo!, todos o sabemos!),  no momento próprio,  divide  com «os  seus rapazes» a vitória,  que foi a sua vida profissional.

O Valdemar é um mão cheia de virtudes (e uma das principais características, é a soberana atitude de pedir para os que precisam).
 Claro que alguns gostam de lhe catar um ou outro defeito. Pudera!!!!!  A vida do Valdemar era um campeonato: havia os bons, os assim-assim, e os «trutas». Por estes se aferia o que os outros faziam. Valdemar expressa despudoradamente nos seus livros – mas era assim mesmo – com que grupo (fechado) de capitães pescadores mantinha «a ratice» de brincar ao gato e ao rato.  

 Por isso...
 
Senos Fonseca

 

sábado, outubro 12, 2013




 

O sol, afinal apareceu

 

Acordo desta sonolência em que ,de tarde, sozinho ,me deixei cair.

Lá fora uma existência serena, a que falta bulício e vida. A tarde foge e acaba imperceptivel. E eu vou-me com ela.

Olho o céu e não lhe vejo o azul claro; há um azul vago.Vago como é a minha vida, hoje. Começa a aparecer um rosado ,a anunciar o ocaso. E o meu ocaso? Será que também tem um rosa desvanecido, só para dizer: ainda cá mora….

Fixo a ria. Tingida de um uns tons inexplicavelmente submissos, perante a sonolência que nos envolve: a mim e a ela.

E encontro repentinamente o esclarecimento: o que existe em mim é tédio. E por isso vejo tudo empardecido. Nesta tarde em que me deixei vencer, percebo como o tédio logo deu para conviver comigo. O tédio sou eu mesmo. O mundo exterior está lá. Eu é que não consigo sair de dentro de mim.

Não me apetece fazer nada. Um torpor de existência sem sentido.
Não gosto, sinceramente, deste azulado indefinido.
Mas eis que repentinamente se abriu o pano de cena. E veio a diva: de vermelhão…

E atrevida, descalça um sapato (ele vermelho, também …) e pergunta:-Posso?
E logo as sensações decorativas da minha alma mudaram de tom. E acordei…
Sinto que ao acordar, estou a sentir uma grande esperança:  a   de viver o momento que passa.

Depois que o pano baixe. O sol, afinal apareceu. Bastante….
SF Out 2013
 

sexta-feira, outubro 11, 2013




CALDO ENTORNADO

Ontem fui ao Porto, não por acaso, mas intencionalmente, para assistir no maravilhoso site cultural da cidade- a livraria Lello-  à apresentação ,do livro do Waldemar Aveiro –«Murmúrios do Vento».

Falarei disso noutra altura.

Cheguei com horas apertadas, fui á bilheteira comprar ingresso, mas o funcionário disse-me que não era preciso tirar bilhete, pois tinha três viagens no cartão. Quando entrei no comboio veio o revisor, que fez cara estranha ao cartão. Disse-lhe o  que o colega me tinha transmitido. Mas não! O problema, informou em proposição tipo policial o zeloso funcionário da CP,é  que eu deveria ter «validado?»  o bilhete antes de entrar no comboio.

Caldo entornado…
-Mas então Você não está aí para validar?
-Não,eu estou para «rever»…
- E revendo você verifica que eu ainda tenho três viagens ,pagas!!!!!
-Pois…mas tenho de o multar…
-Olhe multe, se isso lhe dá gozo…

E passa-me uma factura de 176,00€!!!!!!

-Você é parvo ou…quê?....e quer que eu assine isto?.....vá dar uma volta ….e encontramo-nos no tribunal se eu ainda for vivo(ou se os revisores da CP, não forem despedidos até lá…).
E assim fui até ao Porto.
Este tipo despertou em mim a gostosura de mandar estes gajos (tipo policias),imbecis, que nem se apercebem o que lhe estão a fazer:

À merda….
SF   Out 2013
 

terça-feira, outubro 08, 2013







   Delete



   Entrei no bar ,e sentei-me ao lado de um excelente fotografo  da nossa praça. Mais um free lancer à procura do seu….momment (está em moda)

   Copo atrás de copo, e saiu-me

 - E andei eu, dezenas de anos, atrás de um amor mítico ….queixei-me.

-E eu ando há mais – respondeu-me, bebericando e gesticulando. E olhe: não fixei nada de mítico. Tudo banalidades.

-Pois, mas  para tal, tu só tiveste de  carregar, só e apenas, no botão da tua Nikon. Eu esfarrapei-me.

-Olhe faça como eu: carregue no «delete»….e já está….apague o que não presta. Não pense mais nisso.
 
   SF  OUT 2013

domingo, outubro 06, 2013



   Ouves o mar a chamar por nós?

Fui passear à noite ao mar. Fui só para cumprir um ritual, pois parece mal, estar aqui há sete meses, e nunca me ter apetecido ir ao mar.

Vai-se ao mar, creio eu, olhando o passado, quando a vida é alegre e despreocupada.

Certo que em novo, fui dezenas de vezes, à noite, acompanhado (bem acompanhado!) ao mar. Estranhamente parecia que o som das ondas, à noite, tinha o seu quê de toque estranho. Parece que nós próprios, nos tornávamos diferentes ao ouvi-lo.

Parece naquele som vago da onda que rebenta e nos envolve, se resume a quantidade de esperanças que ganhamos ou perdemos.

Quando no mar a onda rebenta contra a areia, fica um longo sussurro (choro) que se prolonga, audível, pela noite fora.

Ontem pareceu que a vida tinha parado. Oh! que sentido de leveza. Coração e vida parados, vagueei no sonho, arremessei, desenhei formas e palavras, regressando àquelas brincadeiras de garotos, em que escrevíamos na areia:

 – AMO-TE (como se existisse de verdade, e em verdade, o amor).

Ou mais simplesmente se desenhavam dois corações dilacerados por impiedosa seta (unificadora na glória da ….). Todos aqueles símbolos (oi!!!!, tantos…tantos ….) eram uma expressão de sentir ou querer, logo – sei lá se felizmente apagados pela onda seguinte. Claro: a vida a apagar, nós a teimar, na afirmação. Quem sabe nessa idade o que pensa ou até o que deseja (fora do natural e humano desejo (?!).

A verdade era  que

aquela música sensual  ouvida, ritmada, com  a vaga a enrolar na areia da praia parada, parecia ser uma ordem para que os corpos se alinhassem ao comprido, e cumprissem a razão da sua diferença.

 
Amei muito ao som da música (enlevo do mar).Quando disso me recordo, não choro!....de saudade.  Ergo uma taça, brindo, e repito:
 
                                   Oh!  tempo bendito
                                    Tempo infantil;
                                    De duna em duna
                                    A sussurrar-te ao ouvido:
                                    Ouves o mar a chamar por nós?
 
 
                                     E a duna foi a nossa cama florida
                                     O doce colchão do nosso amor
                                     Em festa….de vida nua,
                                     No pulsar aflito sob a paz que vinha
                                     Do céu…
                                     E do mar, que a areia de branco
                                                                                   [debrua.
SF. Outubro 2013