quarta-feira, dezembro 31, 2014



2014 –  The last... but not the least….
 
Um silêncio
Interrompido
Espalha um sudário
Azulado sobre o corpo da minha ria.
 
Deixo o meu olhar seguir
Os barcos que nela
Navegam.
Quatro gaivotas meninas
Os perseguem,
Vão e voltam
Inquietas, ladinas,
À procura da sua sombra.
Nelas batem quatro corações.
Só eu não sei onde paira o meu,
Por aí navegando aos tropeções
Atrás do teu, aos baldões.
 À noitinha a lua virá mirar-se
Ao espelho da sua amada.
Invejo-a, pois nela há tanto «sol»
Que sozinha chega para iluminar
As águas de tanto sossego acordadas.
 
 
 Em mim já mirrou
A luz, o brilho, o fulgor.
Perdida a aventura da ilusão
Procuro-te sem te encontrar
Acho-te, sem nunca te achar
Vou por esta margem, a caminhar
Caminhando, sem sair da minha prisão.
O nevoeiro é como o tempo
A apagar o mito da tua imagem,
Maçã sensual, madura, apetecida
A que me nego,
Mas que em mim, ainda mora.
No longo caminho de renúncia
Vou-me enganando, negando-te.
Nada mais volta a ser como outrora
O vento segue-me
Apagando os meus passos
Para que nunca mais saibas onde moro.

ai amor...ai amor
sou lua sem luar
para to dar...
que pena.
ai que pena,
ui (!?) que dor,
esta saudade
do meu amor.....
 
SF -2014
(Foto Rosa Maria Vital)
 

terça-feira, dezembro 23, 2014



 

CONTO DE NATAL


Tempo este, descorçoado, vadio,  de cenho arreganhado, tez riscada sem promessa que se cumpra, lua trovejada ,trinta dias será molhada, todos o sabiam, só não sabiam é que  barco amarrado não dá frete. E com este rigor do tempo, os barcos ficaram tolhidos, enxeridos na praia, a olhar o mar, a perguntar: para que serves tu mar?!...sem barcos.
A companha baixara os braços. Desesperada e descorçoada. Vencida da vida. Fora sempre assim: o mar ganhara (!) .O mar era infinito. Não se ganha aos deuses….
O mar era um fundo negrão, sinistro, onde só as gaivotas destoavam num branco imaculado, céu riscado pelos seus devaneios. E contudo a inquietude das gaivotas competia com o negrume do céu negro, apertado para baixo.
Por mais que atirassem o barco ao mar, e largassem artes nas duas milhas – ou até nas cinco !–  era claro que o mar se «esvaziara», num repente.
Redes esgalmidas, com um ou outro lázaro peixito trilhado por desgraça nas suas malhas. Uma ofensa ao S. José, por certo tendo cometido alguma falta celestial. E logo sobre o orago terá caído, por certo, a ira do Senhor. Que nos céus, dizem, não há dividendos…

Era próximo o Natal. O verão e o sol ardente levara com ele os pedaços de peixe seco atados a cordame que atravessavam as ruelas entre os palheiros. Sem tostão nos bolsos, o crédito nos altares das diversas tabernas do acampamento, fora-se. Agora diziam, só com moeda da lei. Ou por troca, com peixe a saltar.
Até o padre Félix, vendo tal penúria, achou por bem recolher-se ao seminário próximo, onde certamente, senhoras bem feitoras, das mãos e dos corpos, não deixariam os créditos por mãos alheias. Estas piedosas senhoras davam então, luz ao estomago enquanto melhoravam o espírito para servidão ao senhor. Os êxtases, eram, aqui, mais evidentes, cómodos e seguros.

O mulherio da praia vira partir os seus homens em busca de sustento. Uns, procurando umas batatas lá pelas gafanhas, em troca de dar a mão, canhestramente, à enxada. Homem do mar não sabe comer o bolo à colher . Outros, colhendo lenha e pinhas, que depois iam vender pelas portas da vila. É certo: o homem não vive, vegeta entre as circunstâncias que o deformam. Mas o maior número deles, esses (!) a quem era dado o sonho maior da embriaguez, encostara-se ao balcão das tascas, fumando tabaquito da onça enrolado em papel de mortalha, enquanto iam escorropichando uns copos de três do  carrascão bairradino, prodigamente batizado com água da fonte da Pedricosa. O que lhe retirava a cor, amainava o efeito, e permitia o excesso….a contarem os sonhos de como peixe  saltitava no enxalavar sem nunca dele sair. Sonhos …que não ilusões….

Na companha só o mulherio. Sentadas, encostadas aos canastros, fazendo contas à vida. Sonâmbulas, como se a vida tivesse contas a dar…Que miragem teriam para lhes acalmar o corpo e espraiar os olhos?
- Bem gente: aqui paradas é que não tapamos buraco nenhum, diz a Elvira «Camaroa»          ,cortando o silêncio sepulcral

-Mas que fazer Elvira? Lá em casa para deitar na panela, já só cordame da rede….Ai meu rico Deus !....,andamos a passar do pior, lamenta-se a Alzira ”Caçada”, ao tempo em que se persignava.
-Olhai raparigas, diz a Eduarda « Beijinha», levantando-se, dando uma ajeitadela às saias, desafiando:

- Isto da sorte na pesca tem muito que se lhe diga. E o Senhor parece zangado c’os nossos homes. Que verdade, de candeias às avessas com «corvo  padreca», sempre  pronto a chupar o melhor quinhão, pouca atenção têm dado,escusando-se a frequentar a Igreja, a pedir a bênção para o lanço. Ora nó somos mulheres de trabalho, já todas pegámos em remo, numa ou noutra ocasião. E quem de nós não pegou, não sabe o que é bom afagar, de mansinho e repetidamente, o dito .Porque não ajeitamos «o pequenino» e vamos nós dar o lanço? Que raio (?!), a Nossa Senhora da Saúde, vai estar connosco….
-E o arrais, onde vamos arranjar o arrais que nos guie? inquire a São«Fradoca», já disposta a tudo…
-Pois vamos bater á porta do velho arrais «Noé»….que alquebrado do espinhaço,se for preciso, a gente leva-o ao colo…
Dito e feito. Bateram à porta, o «Noé» apanhou um susto ao ver tanto mulherio…vai que não pode…já não se atreve,….oh rico!...venha lá senão a desgraça vai dar cabo de nós, vamos todos fugir daqui, por cá fica a nossa alma….ponha-se aqui c’a gente leva-o…ora vai-te ao colo de mulher é que eu nunca andei, pelo menos é mais macio que as ondas do mar….se assim querendas, vamos lá, que me começa a cheirar a peixe.
-Só a peixe…desata a  Auzenda «Chambre »: pelo que vejo, oh! Ti «Noé», o cheiro de mulherio ronca-lhe a guleima…    
A Micas» “abegoeira” logo acudiu com os bois, a amparar os cornudos. Era a sua especialidade. E dizia que mais vale um cornudo na mão que dois mansos a borregar. E logo engatou as   armelas  enquanto um grupo de moçoilas deu mão à muleta para o ultimo impulso. Lestas, cabaços á mostra, que ali não havia homem para espiar, a Elvira salta para o remo meão, e logo as outras lhe seguem a atitude. Falta a mão a um remo. No meio do mulherio imbricado na tarefa, ouve-se a Micas do «Salvador»:
-Dai-me a mão, que eu já para aí pulo…
-Tu estás tonta rapariga: prenha a romperes as augas, vens aqui fazer o quê?
-Cal-te; vou fazer, mais e melhor, que vocês: tísicas. Se auguentei com o furacão do meu Toino em cima de mim, a fazer-me o cachopo  : –aquilo parecia mar revolto a bater-me entre nádegas, desarvorado, parecendo esfomeado de mulher depois de viaje ao bacalhau, só descansando quando deu com os ditos na praia para onde me levou ao engano, a apanhar uns búzios ,que nem um eu tive tempo  de ver para crer, que só tive tempo de querer o que também queria….olha que dificuldade em dar ao remo.
- Ah «Micas» …«Micas»…. Morrias se não o apanhavas….
-Pois, que eu bem sei que vocês, marafonas das esquinas,bem o andavam a desaustinar…
-Vá dá a mão…cuidado com a barriga. Achega-te e dá canto que vou aqui de revezeira ao meão.

E o pequeno meia lua achegou-se á vaga. À ré, o Arrais «Noé» temia a escaramuça, e que a força do remo permitisse que o  barco atravessasse. Seria a tragédia.

De repente o arrais que segurava o reçoeiro ,pés bem fincados na antepara, ficou mudo de espanto: o mar aquietara-se.E parecia, repentinamente, campo de repouso azulado, adoçado por uma brisa de maresia  que trazia o cheiro de peixe.
-Vá---rema---rema…oh «Julia»!... madraça… vais a remar ou a fazer cócegas ao remos?
-Bora lhe veio,Ti Noé…, cócegas faço-as a pau que precise. E este remo ,meu Deus, nem as seis nos  astrevemos a pô-lo no sítio….
- C’a sítio ,qual carapuça….bota-o é na auga… e puxa…puxa….
E zás: a Micas que ia de pé ao reveseiro,  ao ouvir a ordem do puxa….puxa… dá um ai... e o  Ti «Noé« olha-lhe para os pés e vê  algo no meio de um charco de sangue. Faz-se um silêncio apenas cortado pelas gaivotas que se desviaram do cardume e chilreiam desalmadamente á volta do barco, alertados pelos berros de uma criança. O arrais, puxa do navalhão, limpa-o à camisete, mergulha-o no balde de água de refrescar a tripulação, e corta, cerce, a ligação umbilical á mãe. Agarra o pimpolho e debruçando-o na borda lava-o na água límpida do mar. E espantado, incrédulo,só então repara que a água estava tépida, morna, ali no meio do mar. Tira o camisolete, embrulha o menino, e com ele nos braços, senta-se no cagarete.
-Dá volta….vá, já estendemos o cerco,  e agora é só levar a mão da barca á praia .Vá …. cia com o direito, e rema com a esquerdo. E tu Micas deita-te aqui neste rolo de rede…
-Não deito não. Tome você mercê conta do rapaz, que eu óguento até terra firme. Vá raparigas…abanai-me esse cu, que tenho pressa.

E tanta pressa havia no ar, que, sem explicação plausível, o meia lua entrou abicado, praia adentro, permitindo que a tripulação saltasse para a praia. Com jeito tiraram a «Micas». E rápidas, colocaram uma serie de enxalabares a fazer escadinha, para que o Arrais «Noé» saísse para terra com o pimpolho nos braços. E logo ali batizado:  Jesus  «das Águas»
Vieram as parelhas .Não só um....E a mão da barca praia acima….eh!!!! já ali vêm os pipos aos càloes... o raio da rede vem pesada, engatou algum ferro perdido…naaaah!!!! vem pesada mas corre bem…puxa…puxa ….olha o pipo  do saco, aí vem ela, a calima
De repente faz-se um silêncio só parecido com o que havia nos cemitérios.
Quando olham para o saco já pousado, todo na praia, este parecia rebentar com tanto peixe  irritado com a sua prisão . O Arrais«Noé» rapa do navalhão, sempre pronto para matar ou dar vida, e corta o porfirio como fizera com o cordão do pequeno «Jesus das Águas». E no interior da sacada via-se peixe prateado saltando em louco estertor. Nunca «Noé», nos quase oitenta anos de vida, vira coisa assim. Que peixe.. que frescura...que dádiva da natureza 
-Milagre…..ouve-se murmurar ao tempo em que todo o mulherio ajoelha erguendo os braços ao céu, em gratidão espelhada no rosto.
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Todos?!

Não…,entre mantas, já agasalhado, o miúdo, vivo, loiro, olhos de um profundo azul amarinhado, como que apartado do milagre, sorri-se....

Como se o milagre fosse já do seu conhecimento
 
SF   Natal 2014

sexta-feira, dezembro 19, 2014

quarta-feira, dezembro 17, 2014







LAGUNA : Património da  Humanidade

 
A singularidade, o esforço humano posto no embate com o meio ambiente no desejo de o afeiçoar, levaram-me a propor ás Entidades e Instituições da beira ria,  avançarem com a candidatura da Laguna  a tal entendimento.
 Fundamental para a preservar, agora, da cobiça humana, posta ao serviço de outros interesses. Proponho a consulta de
 
 
Boa leitura
 
SF

 

 

 






 

 
 
 


segunda-feira, dezembro 15, 2014


 
Os novos PIDES

 
Salta já à vista, e mais do que isso, ao entendimento, que as apregoadas e badaladas «suposições» feitas a Sócrates, começam a mostrar a sua esfarrapada inverosimilidade .
É por isso, insustentável, é insuportável, que por meras desconfianças, se coloque o símbolo da maior Instituição da democracia eleita, sob prisão, sem haver uma única  acusação,  clara, provada.
A imagem de Portugal,lá fora , é a de um novo farwest,  onde a lei era a do mais rápido.Que sacava primeiro e perguntava depois….
É claro que temos em breve de discutir «esta justiça».
A proibição, há pouco conhecida, da entrevista de Sócrates ao Expresso,é um acto cobarde, de quem nega, sem identificar «razões nem porquês», a possibilidade, a quem diariamente se vê enxovalhado por noticias «vendidas» a órgãos de comunicação social, especialmente seleccionados para o efeito, delas se defender.
Admitamos que «amanhâ» concluímos que tudo isto não passou de um acerto «de contas atrasadas», com  alguém intencionalmente escolhido, para fins claramente, então,percebidos.
O que vamos fazer a estes «caçadores de troféus».
SF    
NB No tyempo da PIDE os agentes tinham de frequentar cafés,comícios,esquinas…etc para ouvir «os perigosos inimigoa da Pátria».Agora estão atràs dos telefones, bebendo uns copos, no quentinho, tipo  big-brothers á solta.

terça-feira, dezembro 09, 2014




 

PRESÉPIO

Muito embora a minha relação com a religião seja nula, sempre respeitei  as ideias diferentes  da família(e claro,de todos….).

Que como quase todas as educadas num ambiente profundamente católico, cristão, não perdem a oportunidade de, no Natal, misturar o pagão com o religioso. E assim colocam a árvore ao lado do presépio. Símbolos de que os mais novos  gostam sempre.

Apesar de todas as circunstâncias, há dias, foi-me perguntado se este ano não se fazia o presépio? Claro !... vamos pedir a quem o saiba fazer….E o presépio e tudo o resto, enfeitam já a casa. Que parece talhada para fazer sobressair estes símbolos natalícios. A tal ponto que ela me sugeriu o poema natalício que irei oferecer aos meus amigos.

 Mas, admirado fiquei, quando o  mais novo cá de casa, me perguntou.

Porque  estão ali o Boi e o burro, e o que querem dizer?

Excelente questão. Tenho a impressão que uma grande maioria não sabe  o porquê….e lá fui explicando.

Olha  pá!....a presença do boi e do burro, é «relativamente» recente, isto é ,muito mais nova do que a descrição do nascimento de Jesus (um dos episódicos bíblicos da vida de Jesus).
Um  evangelista apócrifo (e lá tive de explicar o que isso significava), que ficou conhecido pelo pseudo-Mateus (este, Evangelista bíblico) inventou a presença do boi e do burro, no Século VI da nossa era.  Fê-lo  na convicção do profeta Hacuc, quando este  augura «Tu Te manifestarás no meio de dois animais». Ora o profeta Isaías tinha dado a imagem de «que o boi conhece o seu proprietário; e o burro, a manjedoura do seu mestre». Assim o  apócrifo  pseudo –Mateus associa essas profetizações, e concebe a presença no  presépio destes dois animais. Daí em diante presépio sem boi e burro, não é presépio que se preze.

E na ideia popular logo se deu uma utilidade da presença  dos animais : a de aquecimento do menino.
 - E porque não pôs um cão, que reúne as duas características daqueles?

 SF

domingo, dezembro 07, 2014




 

 

Mário Soares é, incontornavelmente, a figura pátria depois do 25 de Abril.

Como os peixes precisam da águia para viver, Mário Soares precisa da Liberdade para se alimentar  e respirar. É  impressionante,  neste Homem, o  seu poder combativo, felino, indomável, de alguém  sempre disposto a assumir  o combate, quando a  Liberdade, pátria ou até individual, é posta em causa.

Retenho Mário Soares:

  A primeira vez quando no final do Congresso Republicano, de 69,em Aveiro, assisti sem perceber bem, mas de perto, à sua má disposição. E a troca azeda de palavras tidas com Mário Sacramento, este, sempre sem perder o tom fleumático, Mário Soares, como depois muitas vezes iria ver, perdendo as estribeiras.

 Uns anos mais tarde abri-lhe a porta de minha casa. Mário Soares em campanha pretendia assistir a uma declaração televisiva de Maria de Lourdes Pintassilgo. E foi na sala, com a Maria João Avilez, rapariguinha nova jornalista que cobria a campanha ,sentada  no chão, encostada ao sofá, que fomos ouvindo o discurso televisivo de Pintassilgo. E  ouvindo,em simultâneo,  os remoques «enviados» por Soares. Como de costume, manifesta e exuberantemente participativo .

Curiosamente (e só por isso!)  foi em minha casa, como combinado, que Frederico de Moura recebeu o convite telefónico de Mário Soares, para ser cabeça de lista do PS. Falámos da boa escolha ,pois o0 PS pôde contar com o alto contributo daquele meu saudoso amigo, um intelectual da mais fina água.

 Mário Soares tem um sentido muito raro de perceber antecipadamente as coisas, mesmo que, inevitavelmente, como humano, também, por vezes, tenha errado. Mas mesmo nestas situações Mário Soares tem a enorme grandeza de nunca se ter sentido vencido. Perder uma batalha não é importante para se ganhar a guerra. Mário Soares nunca deitou a toalha ao chão. Nem hoje, já com 90 Anos,  deixa de dizer umas coisas nas trombas daqueles tipos.

Mário Soares tem lugar de relevo no panteão Pátrio. Poucos souberam ser patriotas tendo como companhia  de jorna, permanentemente, a Democracia e a  Liberdade.

Eu Te saúdo Mário Soares, neste teu aniversário. Precisamos, ainda ,de Ti…

SF  

sábado, dezembro 06, 2014


EPISÓDIOS  SOCRÁTICOS

Compreendo que certos amigos me piquem,enchendo-me o mail com mensagens sobre o Sócrates.
Democraticamente aceito o «picanço». Mas em jeito de recado, devo manifestar, alto e bom som ,que estou solidário com Sócrates.
Magoou –me  muito o acontecido. Tantas atoardas sempre vão deixando as marcas de uma certa duvida que quero rejeitar até ao fim.
E até esse momento chegar, concedo o benefício da duvida. Se me enganar….Bem!... vai doer.
Hoje o «Sol», um dos pasquins que comprou os direitos do processo para saber todas as delirantes invencionices, traz a suspeita de que o ex- primeiro Ministro teria interferido num aconchego ao Governo de Angola, em um potencial negócio para a Lena.
Então eu fui um corruptor nato (et voilà…). Quantas vezes fui bater á  porta de Ministros e Secretários de Estado para despacharem ,ou intercederem ,num dado processo? E o que faz o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, senão andar a pedir para a Empresas A,B ou C? E a receber a Altice? Ou…….
Outra noticia escandalosa, foi –escreve-se –, o Sócrates ter contribuído para a eleição de Costa. E quem contribuiu para a eleição de Cavaco, ou Passos? Já agora…e por contribuir para a eleição de Costa : somos todos corruptores ?
E ainda outra : a de que Sócrates, enviando as missivas da cadeia, está a querer provocar um levantamento popular para fazer justiça à justiça?!!!! Parece que  alguém está com medo….
Esta de não se discutir a justiça, parece-me uma Salazarenta exigência da «pátria una», que não se discute.
Se se discute Deus( e  este  até o permite….ao que parece )porque é que não poderemos discutir o errado que está perante os nossos olhos? Se a Democracia é o regime – é isto! –  em que estamos a viver, então temos de mudar  este  regime. E não há cobardia que chegue para nos escondermos. Um dia alguém acerta contas pelos «cobardes».
Por outros motivos bem diferentes fui preso três vezes. Por dita  violência sobre policias que ousaram sacar da arma, e  que pelo inaudito levaram um bom sopapo, em troca. Nunca suportei o excesso de autoridade, e  muito menos o abuso desproporcionado de meios, muito menos de uma arma. Fui absolvido.Sempre!
Em uma das vezes,era então oficial da Marinha. E quando recebi ordem para acompanhar o policia, identifiquei-me, e disse-lhe:
- Diga onde tenho de me apresentar que eu vou lá ter…..E assim aconteceu.
Por acaso este episódio foi nos tempos salazarentos. Há limites de respeito e direitos básicos que não podem ser ultrapassados.
Se isto é um estado democrático,  em que os julgamentos são  feitos  na praça pública, através de  uns tantos escribas  corruptos, pagos   para colocarem cirurgicamente umas «propositadas  verdades», que lhes são passadas para justificarem, o injustificável:
Meus caros, cuidai….que «ela» está próxima.
Hoje na comemoração do II Congresso Republicano de 1969,quando um interveniente comparou  o liberalismo a uma ditadura, em  acrescentei –lhe em conversa particular:
-Pior : é que uma ditadura tem rosto. E sabe-se como lhe pôr fim….O liberalismo  fanático  do capital,  é anónimo.  Limpa-se um, mas o cancro fica lá.  
Já estou como o «outro»:  começo a enxofrar,  eu também…

SF
PS- Amigos: mandem tudo- A ler é que a gente «SE  INSTRÒI»
 

sábado, novembro 01, 2014

a casa do olhar


 A Casa do Olhar 

 

Esta casa onde nunca morou

A indiferença,

Nem sequer o fazer de conta

Das vezes sem conta

Em que houve os dias maus,

Em que as rosas pareciam

Nascer ao revés.

É, hoje ainda, a casa do olhar

E espelho pousado

Sobre o cristal azul da ria 
 
 

Não virás, eu sei.

Nunca mais voltarás.

Mas eu pressinto

No crepúsculo das tardes

O marulhar de um corpo

Vindo da finas areias

Misturar- se  nas letras

Dos meus livros,

Parecendo ali ficar em vigília

Perpétua.

 

 

Descubro-te neles

Elevo as tuas mãos

Com que me acaricio

Cinjo o teu corpo

No sonho da sua violência

A provocar a lembrança

Dos amantes que fomos.

A morte não consegue

Apagar os sinais densos

Que gravámos, vida fora.

 

 

Olha : não sei dar o nome

À vida na tua ausência.

Sei apenas

Que somo as horas perdidas

À procura do chão do teu corpo.

Para a seu lado me deitar.

O inverno vai chegar.

Ai quem me dera

Amar  sem te magoar

A prolongar a primavera.

 
Sabes amor ?
Queria morrer amanhã ..amanhã de amanhã...
Desde que  fosse ontem..
 
SF (1 Nov 2014 )

domingo, outubro 26, 2014



  

O PS  Francês….atormentado

 

E a implosão do PS Francês continua na ordem do dia. Impressionante: cerca de 40% entende que o PS se deve dissolver; uma percentagem,mais ou menos idêntica, acha que se deve reformular, mantendo o nome.Seja como for: o partido está claramente dividido, estando no poder.

Problema muito sério.

 A mudança de nome dos Partidos, não tem nada de estranho, principalmente quando não são carregados de uma consistente ideologia, e se pulverizam em clientelas desacomodadas.

O PS português teve problemas desses : ( tive a particular felicidade de ter estrado em todas as transformações –evoluções) do PS português,  mas sempre –não sempre bem ! – superou-os.

A estrutura partidária é reacionária em relação às grandes discussões. E por isso não aprofundamos o que é ser Socialista, hoje, num mundo onde o liberalismo desenfreado tomou conta do poder numa Europa, que não consegue resolver os seus problemas de desenvolvimento( está bem claro que nos próximos decénios a Europa nunca superará os 2% de crescimento)

Então porque não abrir à discussão :

             deverá um Partido Socialista(histórico), tentar inverter por dentro o sistema (isto é movendo-se no sistema, aceitando determinadas limitações ) ou deve auto excluir-se, deixando campo aberto à destruição do sistema social por uma extrema direita que já, sem temor, se mostra disposta ao pior?

Muito vai mudar neste ano que se aproxima. Valery d’Estaing assegura, que, dentro de pouco, a França será uma nova Grécia. E propõe algo drástico: reduzir a Europa comunitária a 12 Paises…

 

A PT não é uma fábrica de cervejolas….senhor  Lima…..

O actual governo, e dentro dele  alguns elementos que nos pareciam incapazes de o fazer, utiliza  a mentira  descabelada e descarada, como instrumento de desculpa para omissões. Pires de Lima, que tudo fez para despachar politicamente o seu antecessor, prometendo ser o génio da viragem, vem agora desculpar-se de nem sequer saber o que fazer com a PT. Este senhor  é mais um exemplo inegável do principio de Peter.

O não controlo da decisão sobre o futuro da PT, é um crime de lesa pátria. A PT não é, propriamente, uma fábrica de «cervejolas», sr. Lima.  

E sobre Sócrates e a Golden Share, o senhor é um crápula mentiroso. Há que criar condições claras sobre controlo estratégico das empresas emblemas. Sócrates movimentou-se e preparou, o que os senhores não querem aplicar, ou nem  sequer perceberam .

É que a PT, não é negócio  de juntar mais ou menos água ao produto.
 

 

Respeito…mas lamento…

Respeito o PC e os seus apaniguados. Sou suficientemente tolerante para perceber que a sua sobrevivência de influência, não se mede na dimensão politica, mas na rua.

Pragmaticamente este tipo de postura é um constante desandar da história. Numa batalha, se o ataque não pode ser massivo e frontal, há que atacar os flancos. E penetrar no inimigo. Politicamente o PC não passa cheques em branco(diz!), mas também não os passa como participante no acto de governar.

No concreto a praxis  institucional do PC, favorece a estadia de uma direita arrogante. O inimigo do PC, é  quem  lhe disputa os votos.

O  PC à espera de Godot….

SF

sexta-feira, outubro 24, 2014




O PS Francês á beira da implosão...



Sigo com particular atenção a discussão politica instalada no PS francês.Nem sempre as noticias aparecidas nos joprnais portugueses traduzem fielmente ,o que se está a passar,cujo desfecho pode ser um sério aviso para a o PS português, claramente a caminho de uma complexa encruzilhada

Sigo hora a hora esta questão , por um lado porque gosto de ver equacionar ideias ,concorde ou não com as mesmas. Não suporto teias de aranha. E aceito experiências, mesmo que as mesmas tenham riscos implícitos.
Colocado na «tormenta» de governar, Hollande , ao principio um esperançoso Presidente, quedou-se, por uma mais que sombria decepção. Uma incapacidade absoluta de afirmação, que me deixou perplexo.
Exemplo claro ,da real  constatação que um Partido é uma «coisa» na oposição, outra, quando  chegado ao governo.Mostrando, depressa demais, que  por incapacidade ideológica da mal estruturada  massa humana da sua entourage, ou porque submetido a outras forças que parecedesconhecer,ou avalia mal,  repete ,absurdamente, os erros do anterior governo. E a alternância –essa ! – é  só nos interesses ,mais ou menos insatisfeitos, dos seus boys..
Ora certo é que a França era ( e é!) talvez, o mais promissor aliado dos países do sul da Europa, para fazer frente a uma Alemanha  kaiserista : no passado ,agora, e sempre. 
Hollande depois de sucessivos falhanços recorreu, in extremis, a Valls, nomeando-o  seu primeiro ministro. Sem duvida, pelo que tenho lido, um politico  determinado, pragmático(ou descrente na ideologia)  que assume, contundentemente, a dificuldade de governar à esquerda numa Europa   dominada por esquizofrénica maleita  do quanto pior ,melhor .Valls, socialista que milita no PS francês desde os dezoito anos (um J…socialista), parece querer separar-se do que considera ser ,o ferrete socialista, e  veio, inopinadamente  lançar uma enorme confusão no seio do Partido.
Por um lado apela à esquerda, exortando-a a constituir uma «casa comum» para se poder exercer um governo de esquerda. E até aceita, que para isso ,no futuro, o Partido Socialista mude de nome(sem explicar bem como ficará ideologicamente…).Quer separar o Partido do anátema que a palavra  socialista, liga o Partido ás experiências bolcheviques totalitárias.
Mas foi o fim!...logo os fundadores vieram á liça, e até rejeitaram as suas propostas  orçamentais…E questionam :ou Ele, ou nós….
Valls, a meu ver,  veio dizer  algo que, no mínimo, urge discutir. O que quer afinal a esquerda (?) ; e onde se situam alguns que,  dizendo-se de esquerda, agem ,apenas e só numa estratégia, pobremente individualista? E que agarrados a uma ideia perdida no tempo, não conseguem posicio nar-se,num tempo que nada tem a ver um passado(tenebroso).
 Há nesta União  Monetária Europeia uma quase impossibilidade de se governar diferente. Tão grande são as limitações de ir mais além, na ideia de uma maior ou menor intervenção do estado, na regulação (intervenção) económica e social do País. Um País, (sozinho) não muda o estado das coisas. E até se atingir um outro equilíbrio de forças (global), há que ser pragmático  O poder especulativo faz dos governos marionetes, e dos governantes  uns moles e agradecidos, pedintes corruptos.
A reacção  a Valls no interior do seu Partido, foi pois, má.  E fora dele, um encolher de ombros de uma esquerda (que com o em Portugal) quer ser, apenas e só, interveniente pela palavra (contestação),ainda que com tal postura vá perdendo batalha a batalha, ingloriamente. E que por vezes (ou quase sempre) não se exclui de se aliar, no voto,  à  ultra direita liberal, reacionária. Ora eu não compreendo porque num momento tão critico (o de mostrar restos de força nacional à Alemanha no distender da austeridade) ,o PS não debata a questão levantada por Valls, sem que com isso apareçam as espingardas. E encontre um meio termo para nova estratégia de afirmação.
Valls vira-se agora ao centro.E este responde-lhe : não obrigado…
Será capaz, Hollande, de resistir a uma dissolução da Assembleia?
(Este problema do PS Francês,é um bom aviso para António Costa).


SF

domingo, outubro 19, 2014



                                                                         
Solidão: enquanto souber sonhar, não te vendo a alma….   

Sou avesso a estados de alma aonde a solidão navegue. Mudo facilmente de rumo, a trocar-lhe as voltas.

Mas há dias-

Num destes dias, desta semana, era hora sobrante para fechar a portada. Abri a porta, e deparei com  aquela chuva de lágrimas fortes, intensa ,mas não de cântaros. Derrame queixumento  vindo lá do alto, que me encanta.   Nunca na vida usei guarda chuva; nem nunca me apressei para dela fugir,
Um dia pus em discussão, na Faculdade, a seguinte questão: se um individuo correr á chuva,  molha-se  mais -ou menos –, do que  quando percorrer a mesma distância, paulatinamente? A discussão durou horas, com cálculos pelo meio, e até Einstein veio dar ajuda .
 Aqui chegados, é um facto: gosto de apanhar a chuva de «caras, de frente». Como a vida: pegá-la pelos cornos.
Ora olhando lá para  «os sules», notei uma noite escurecida pela bruma. Mas, em contraste, e como habitual neste micro clima que metro a metro se transforma, a noite era brilhante em frente do meu terraço. E eu juro que distingui na ria, seis vénus vestidas de um branco num cantar belo e repousado, uma espécie de silêncio frouxo, ondulado, carregado de virginais convites.
O choro grosso vindo lá das alturas, à falta de vento, parecia querer repousar nas agulhas do pinheiro, aqui debruçado, a pedir licença para pernoita ..O pinheiro solitário, iluminado pela luz vinda da rua, deixava ver um verde esplendoroso na ramagem. As gotículas gravitavam nas agulhas inclinadas, e iam caindo a chorar de novo, pingo a pingo,lentamente. Luzes brilhantes, minúsculas, que se iam apagando e  acendendo, numa harmonia silenciosa..
A ria parecia eriçada, irritada pelos bagos de chuva que a adoçavam. A ria não gosta de ser doce. O eriçamento  quebrava a monotonia de uma noite muito calma, despida de vento, que pronunciava a tareia que lá viria. O vento  amortalhado ao largo, deixava claramente ver o  quadro impressivo das casinhas brancas da Maluca, aqui e ali salpicados de pontilhados provindos da iluminação ribeirinha, amarelada, a ver-se ao espelho da ria. Esvaindo-se…nuns requebros de turbulência calma.
Nno meu fato de noite (calções  e camisolinha de nanar), estonteado, pregado á natureza, o cérebro em paixão renovada ,interrogava-se :que raio de silêncio é este que me acaricia e me faz sonhar, que cheira a urze fresca e me sabe a suspiro?. Pensando que, se «a caprichosa» natureza  me arrasta para o irreversível fim, mitiga-me   a dor de me lamentar, ao deixar-me, ainda, saborear a sua portentosa beleza. A ponto, talvez(!), de ter dor de não ter «dor», esquecido do resto que ai vem.
E de repente estremeci; pareceu-me que uma mão que sempre conheci, me convidava.
-Anda….
E eu fui…«podão« que sempre fui nos volteios da dança, não neguei, «Ela» sempre me soube dar o jeito para percorrer as alamedas do salão, dando  ritmo ao meu corpo tosco. E quando assim era, todos os meus sonhos pareciam de vermelho vivo, aveludado. Irreais. Cisne, borboleta, milhafre…tudo eu queria ser.
Senti uma frescura maravilhosa inundar-me de vida. E a ria nesta noite, era uma imensa avenida luminosa que «percorríamos» enlaçados, rodeados pelas vénus que nos salpicavam de flores. Uma maravilhosa cascata de gotículas cristalinas, brilhantes, a impedir o eco dos nossos corpos nos espelhos que nos cercavam. E vogámos pala ria, entre beijos, até á ilha dos «desejos»…
E então percebi que para matar a solidão não é preciso procurar as estrelas, nem a lua, nem o azul. Na esplendorosa negrura da noite vi todos as minhas recordações plasmadas.     
-Voltas? ……
-Sim na noite …da «noite».
Sou um velho ainda menino, ainda a gosta de brincar, com a ternura do silêncio apetecido.
Solidão: enquanto souber sonhar, não te vendo  a alma…..

SF

quarta-feira, outubro 15, 2014


Em que ficamos: os anjos têm asas, ou não?!

 

Desde miúdo que me recordo de olhar paras pinturas  nos altares da igrejas, e de pousar a minha atenção para as figuras angélicas, que, ou tocavam trombetas, certamente tipo fog horns nas  navegações celestiais, ou sopravam nos caldeirões onde os hereges eram «fritos». Esta dicotomia , entre anjos bons, de anuncio de grandes e bons acontecimentos, e anjos maus,que apesar dos rostos infantis, praticavam ou colaboravam,com as maiores tropelias de uma «igreja» que, de Cristo, nada tinha.

Interroguei-me ao longo da vida,  por mera curiosidade, sobre a questão: afinal os anjos têm asas, ou não?

Fui lendo e colhendo informação …

Fiquei a saber  que o Novo Testamento dá aos anjos uma catalogação de figuras celestes – uma espécie de lobby – intermediários entre Deus e os homens.

Sejam querubins, os portadores da mensagem (hoje gente dos midias) ou os serafins, guardadores do trono (hoje chamar-se iam guarda costas),tais figuras são, mesmo aos olhos de quem não acredita, fascinantes no seu misticismo.

Aos querubins competia avisar a «malta». E pré anunciar mensagens apocalíticas, a quem se afastasse das labirínticas veredas do Senhor .Mas e também, carrear presentes (prometidos) aos bons .Já no mundo grego eram designados por àgellos.

Mas quer em Isaías, quer depois no Novo Testamento, há unanimidade, em que os anjos da Igreja de Cristo (esses!) tinham asas.  Duas.. quatro…e até seis… asas! Criaturas fantásticas, talvez de inspiração assírio-babilónica (como hoje se pensa), de quem se chega a afirmar «sobe, voa,e plana, sobre o vento», talvez influenciados, pela  aventura de Ícaro.

Sem duvida as asas davam um certo misticismo no transmitir da mensagem,na comunicação com os homens (ainda sem Internet e sem wi-fi).

E o certo é que mesmo no judaísmo, os anjos não desapareceram (livro de Henoch).    

Eu por mim, descrente, mas desejando  viver em boa paz  com os anjos(só me faltando as asas para o ser!...) os anjos existiram. E se  existiram teriam de ter asas, para se deslocarem nos céus .De La Palisse ..
 
 Eram uma espécie de transportadores de avisos e mensagens, à época, como é hoje o inefável Marcelo. Que não tendo asas (ou terá,tal a sua mobilidade) , mergulhou no Tejo, ..sobreviveu…e aí está a passar a mensagem.
 
SF

segunda-feira, outubro 13, 2014





O EI é mais perigoso que o ébola


Esta questão do EI (Estado Islâmico) é quase tão preocupante quanto o surto da ébola.

Estamos perante uma cobardia dos países constituintes da ONU, que tardam hipocritamente em intervir. E com o adiamento de soluções, e um encolher de ombros hipócrita, condenam milhares e milhares inocentes à degola.

Claro que impressiona,de igual modo, estes novos «cruzados ?», que fazem agora, a viagem. Mas  ao invés (dos cruzados) anteriores. Os primeiros, idos em nome de «Deus» cristão, libertar Jerusalém (destruindo civilizações e povos). Agora idos em nome do «Profeta», refazer o califado .Nihilista e passadista, o EI ,é o fruto de um vácuo politico criado numa região, onde o Ocidente tem profundas e inegáveis culpas. Nascido da «razão» para o combate, de um grupo de elites de Saddam,a que se juntaram uns velhos fundamentalista, para lutar contra o invasor americano, o movimento(e ganhou expressão)em 2011, com as revoltas árabes. Descontroladas, desenvolvendo-se aqui e ali ,como os cogumelos.   

No passado mataram-se, degolaram-se, incineram-se  milhares e milhares (talvez milhões!) de inocentes, em nome de «deus» em vão. Não se prometiam as virgens (coisa que, parece, por aqui é moeda rara, e ainda bem!) mas prometia-se ouro, riquezas, territórios, prebendas, sem fim.Agora, estes jovens «europeus adoptados»  inadaptados, desprezados e desinseridos, sem futuro á vista, deitados ao lixo por uma  sociedade capitalista que despreza  as pessoas, doentiamente fixada ,apenas, no lucro de uma exploração continuada, são presa fácil para uns loucos e fanáticos  terroristas( o fim dos tempos está aí, e….) . Para em nome de Alá (também ele  citado em vão) levarem a jihad até ao fim. O califado quer regressar á Europa para acertar contas.

Nos múltiplos contactos de duas dezenas de anos com a gente árabe, entre a qual criei, fortes e duradouras amizades, materializada em  mútuas visitas, amiúde e continuadas, sempre me impressionou o conhecimento profundo daquela gentes  do Corão (independentemente do seu grau de formação). Percebi que os actuais cristãos desconhecem, literalmente, a Biblia. Que invocam amiúde sem nunca a terem lido.E mais: –analisado. Nessa atitude existe uma profunda e inegável diferença, entre os seguidores das religiões. E eu que não sigo nenhuma, fui com curiosidade anotando essas diferenças. Aquela gente pareceu-me formatada na escola, para acreditar cegamente.

Estou plenamente convencido de que se avizinham tempos de extrema delicadeza para o  Ocidente. Qualquer leigo percebe que com a aviação não se matam «moscas». Se nem sequer acertam nas instalações petrolíferas em mãos terroristas, que raio de precisão tem essa tecnologia  americana (drones & comp)? À  trinotonante decisão americana, o EI radical,  aproxima-se  da Turquia(e depois?!) e está dentro de Bagdad.

24 horas de indecisão numa guerra, pode representar a sua perda. Napoleão soube-o tarde .A perda desta batalha, que deverá, inevitavelmente, ser travada no terreno, pode ter  consequências irreversíveis.

SF