sábado, maio 31, 2014


 

Voltando ao PS…

Analiso, assim a questão,

 Reconhecendo em António Costa, um politico experimentado, e um homem inteligente(o que não raro, não sucede) levanto a questão :

Sob o ponto de vista pessoal, e politico, o que terá feito avançar António Costa?

Qualquer um,sob o ponto de vista de única (e só!) ambição pessoal ,reconhecendo não ter ninguém à altura de lhe disputar, no pós legislativas, o lugar, e estando convicto do mau resultado do PS nas referidas eleições, uma magra vitória, ou trágica derrota, daqui a ano e meio, bastar-lhe-ia sentar-se e esperar que lhe pusessem o menino no colo .Com  unanimidade total.

Por outro lado abandonar a CML daqui a ano e meio por imperativos de «salvação» partidária (leia-se salvação nacional),não lhe criaria, certamente,  problemas de angustia de abandonar os seus eleitores.

Então o que fez saltar António Costa?

A racionalidade indicava-lhe outro caminho, se as razões fossem,unicamente as de ambição, pessoal e/ou política (num homem que foi já quase tudo,e que poderá ver a ser,politicamente, tudo, se souber escolher os timings).

Bem: aqui poderia aparecer um sublime imperativo pátrio(eu sou um dos que por norma duvido destes gestos sublimes….) 

Outra coisa: acreditar que Seguro, convocaria, ele próprio,o Congresso, é uma menoridade mental. Que como líder -lider mesmo!-  Seguro deveria  desejar (?) ir a votos, é claro. Só indo (e vencendo), não perderá a capacidade de liderar. Se não for, vai-se  arrastar, de derrota em derrota, até à derrota final, daqui a ano e meio.  E ainda que  derrotado no Congresso, a derrota poderá reverter em seu favor, em termos futuros. E ele é novo.

 Mas que sejam outros a convocar o dito Congresso, isso parece-me, no mínimo, racional..

Resumo:

Toda esta baralhada mete-me pena. E dó…..

SF

 

sexta-feira, maio 30, 2014


Haja   decoro….


Mastigo com enorme impaciência, a crise que se instalou no PS.

Sou um dos muitos que sempre acreditou ser, António Costa, uma excelente e muito melhor opção politica. A melhor  solução, dentro do Partido, para Secretário Geral..

Mas o facto é que quando deveria ter avançado, não avançou.  

E mais: depois comprometeu-se com o seu eleitorado da CML. Como virar-lhe as costas, agora, um ano apenas decorrida a sua eleição ?

O avanço para o fim que anunciou, o da pretensão de substituir o actual líder, prometendo êxitos maiores,é, a meu ver, extemporâneo.Anunciado em local e tempo, errados.

Se na Comissão Politica, no calor da discussão dos resultados eleitorais do passado dia 25, nascesse a crise, e aí  fosse ponderada a questão de convocatória de novo Congresso, tudo bem. Era uma atitude politica, nascida no sitio certo, fruto de discussão interna. É assim que eu entendo as  virtualidades de um PS.

Mas feita  nos dias imediatos, logo após o acto eleitoral, quando os resultados são,ainda, particularmente difíceis de analisar, em rigor ( pelo menos apressadamente), o desafio  de António Costa parece-me precipitado. Justificava-se ouvir sensibilidades (internas e até externas), variadas ,e depois sim, extrair  as consequentes ilações ,e partir para o desafio.Assim.... isto parece a noite das facas longas.

Dou-me muito mal com atitudes de duvidoso procedimento ético. E sou dos que pensam  que a ética pessoal não pode ser posta de lado, mesmo nesse mundo torpe da política.

Choca-me  ver  Presidentes de Federações (ex.- o de Aveiro), a afirmar, publica e apressadamente,  que a Federação X, ou  Y ,dão o seu apoio ao Sr Costa ou ao Sr Seguro, sem terem minimamente consultado os seus  federados. Façam-no em nome pessoal, mas sublinhem o facto.    

O salto de Costa é um pouco atrevido. Não sei ,e julgo que poucos o podem saber, se vai ter êxito. E se tendo êxito, haverá  tempo e condições para se cumprirem as elevadas expectativas ,criadas.

Fica claro : não gosto do modo como se processa  o arreda-te lá para trás. Em condições normais não hesitaria a quem dar o meu voto. Nestas, terei de pensar. Por simples decoro

SF

terça-feira, maio 27, 2014


 

Eleições Europeias – Perderam todos…


As Eleições para o Parlamento Europeu não trouxeram a vitória a ninguém. Trouxeram, (aqui e lá fora), uma dolorosa constatação: a democracia, tal como a experimentámos e vivemos, no após guerra, foi assassinada pelo próprio sistema (lascivo) democrático.

O que as Eleições europeias vieram dizer, é que os Europeus rejeitam claramente este tipo de partidos políticos, atolados em corrupção e iniquidades, submissos ao capital de que dependem para viver e se abastardar. Para que os seus «eleitos» açambarcarem lucros que fazem escorrer pelas offshores, que, sabendo malignas, não tomam iniciativa para lhes por fim. Pudera!.

As populações que trabalham estão cansadas de pagar, sozinhas, a factura. E não entendem que, hoje estes, amanhã os outros, falem muito e prometam o que não podem(nem tencionam!) fazer.E que, arribados ao poleiro,logo parecem tomados do síndroma de alzheimer.

Em boa e única verdade, os três Partidos ditos do arco do governo : - perderam todos (!).E por muitos. E os restantes não ganharam nada. Uns porque não percebem que o remédio milagreiro quando aplicado ao doente, foi pior que óleo de rícino. Outros:- porque o populismo(pessoal) vai e vem, ao sabor da presença mediática; mas nada resolve, em concreto.

Tenho ouvido com muita atenção Ferreira do Amaral (já que os outros economistas de serviço ao governo, desapareceram). Uns, certamente envergonhados de tanta asneira debitada, no exercício sempre penoso da figura da «voz do dono». Vivem todos a mamar nas instituições que lhes mandam mensalmente as avenças de «conselheiros». Não das  ditas instituições, que bem dispensam o seu saber (pois que sabem de cor o que pretendem), mas como homens de mão, das mesmas, na intoxicação televisiva caseira.

Voltando a F. do A: tenho pensado, seriamente, na sua ousada opinião de Portugal sair do euro, como solução de custo menor. Entendo a liberdade de instrumentos – liberdade de desvalorização de moeda, possibilidade de barreiras alfandegárias artificiais, etc., etc.

Numa implosão europeia, que remédio. E mãos à obra. Mas teria de ser feito com outra classe política. Que tivesse mais músculo. E mais vergonha. Teríamos de atravessar o «rubicão»; e para tal não vejo  ser possível, fazê-lo, sem «alguém» a comandar. A dimensão dessa autoridade é que me condiciona e faz temer.

Inicia-se sob a promessa do tempo indispensável para …

E depois toma-se o gosto.

SF  

quinta-feira, maio 22, 2014





Caros :

Não Vos envio,como aliás é meu costume, qualquer incitamento ou conselho.
Votem como entenderem melhor. Mas votem mesmo…
Melhor que votar, nestas Eleições Europeias…é Falecer….
É, de facto. A barba cresce depois de morrermos, e isso, depois de, não nos dá gozo nenhum.
Se  hoje  começasse a deixar crescer a barba, sem falecer, iria dar o meu voto a  (?)……
Para nada, mas ao menos ria-me…
Agora, domingo, vou dar o meu voto a (?). sabendo que dentro em pouco,estaremos numa encruzilhada sem saída.
Porque isto não vai lá …a votos…
Desinfectar um País ,até pode justificar aceitar quem mande, por um tempo. Mas  q.b. Desinfectar um continente ,não há  FLIT que chegue.
Em situações com alguma analogia com o estado catastrófico em que caímos, usei sempre a metodologia: «Então não há ninguém que mande aqui? Bem…então mando eu…».
Só com uma diferença: posto o barco a navegar…desembarcava no primeiro porto a que chegasse.  
A minha clara intuição, é a de que este País, no actual quadro europeu, não tem futuro nenhum. Ou muda a Europa, ou mudamos nós de Clube. Ignorantes da História, não perceberam o dito socrático: as dividas dos Países não se pagam!!!vão-se pagando».Ele tinha razão. Mete-lhes mais medo que o diabo...e isso ,palavra ,dá-me um gozo...
 Pagámos nestes três anos alguma divida,nossa? Não !.. pagámos foi a divida de uns tantos especuladores .A divida é como as pilhas Duracel l : - e cresce …e cresce…cresce!!!!
E vamos continuar a pagar. Vendendo não só os dedos, e depois  os órgãos (rins,figado,pila etc etc).
Rio-me….pois quando me vierem buscar «essa»,lixam-se: –  de «duracel» já nem o cel descortina.    
Pior que votar para bem pouco, «falecer», era mesmo não votar.Ou votar em branco.
E assim sendo, com  a «camisinha» protectora,  lá irei meter na racha da galdéria Europa.
Raios ...um homem não nega uma racha,boa ou má.
Votem caraças...



    Sf              

quarta-feira, maio 21, 2014



 

Pontuando:


1-      E lá me desembaracei do TDEX.Foi uma experiência ,que, embora ligeiramente forçada, depois  acabou por me criar  algum interesse.

Admirei o profissionalismo, e a vontade de «fazer bem», dos voluntários que levaram a cabo, e a bom termo, o evento.
 
 Sinceramente perturbou-a minha vida..mas disponibilizei-me inteiramente para os pormenores : a  mostra à Imprensa, os treinos (!!!)... treinos (sim!)...e a preocupação de  criar  uma ambiência que levasse os chamados «oradores» a dar litro e meio, no sentido de interessar a clientela (jovem).

Com direito a foto, vou guardá-la. Ou melhor pô-la no quarto do João, para que veja que o Pai é velho ,mas não patareco. Eu que abomino fotos, gosto particularmente desta. Eles convenceram-me que «aquilo» era mesmo a sério.

2-      Depois dos «Maias na Costa Nova» tenho recebido comentários e sugestões.Normal.E claro,sempre agradáveis.É das regras, que quem não gostou não quer ser indelicado.


De entre as sugestões e ideias dadas para novos livros, não deixo de referir uma. Curiosa  e porque veio ao encontro de algo que já me tinha perpassado pela cabeça.

Diz uma amiga: «tenho apreciado o modo como tenta dobrar o cabo do Não (fim).Isso leva-me a sugerir um titulo para o livro de remate: «Morte à MORTE».Seria interessante perceber como é (ou foi) a sua atitude com este enigma da vida.

Sorri-me perante este desafio. E de noite, dei voltas sobre volta. Às cinco da manhã já não aguentei mais, e vim teclar. Conclui desde os primeiros parágrafos: quis morrer ontem ; amanhã não me apetece nada!

E comecei a perceber : - eu não nasci diferente porque quis. Não. Fui-me fazendo diferente.

Ora vai-Te….

         3 – É bem certo : o que magoa não é quando um inimigo nos fere. É sim, quando um amigo, nos apunhala. E passado o primeiro impacto de perder um amigo, eu, que tudo fiz por não perder nenhum, julgo chegado o momento de largar a mão e dizer:- basta!
 O que magoa foram as palavras perdidas. Mas nada de chorar debaixo dos ciprestes grandes.
Anos a fio a conhecer o amigo.Sem afinal lhe conhecer a alma.
Tempo agora  de correr as cortinas.
Eu estou longe de Deus. E  Ele de mim. Entre nós não há equívocos.
Mas se estou longe Dele, há «pessoas» que estão  na torradeira, mesmo em vida. Eu não bato com a mão no peito, nem osculo o Senhor, em vão.
 
          4- Já não preciso como arranjei esta foto.A única que conheço da família Senos Fonseca.
 
 
   Curiosa a fotografia,recolhida no casamento da Maria Vitorina e do Samuel Corujo(o dos barquinhos engarrafados).Olhando hoje para esse passado longínquo (mas recente pelo modo como o gravei) noto que me não angustia a perda. 
                Recordo-me logo a seguir ao cliché, termos -eu e a Zeca- pedido para irmos brincar.
Resposta da Mãe: vão...vão...que vão ter pouco tempo para isso...
                  O que é que a minha Mãe estava a pensar? Premonição....Do momento, ou da vida que adivinhava para os seus filhos.
              5-Poemeto
 
                                   e foste tão rápida na saída,
                                    fugindo sem eu dar por ti
                                    que não me lembro
                                    de como são os teus olhos,
                                    tuas mãos, nem sequer os teus cabelos.
                                    só me resta o sabor do ultimo beijo, roubado.
 
 
                                     hoje,nesta noite de lua cheia
                                     enviarei uma borboleta de mil cores
                                      mil  fascínios
                                      que te levará  os beijos que não te dei.
                                     
                                      não a prendas;
                                      devolve-ma...viúva da lua ... 
                 




                                     SF


 

terça-feira, maio 13, 2014




  Foi Você que pediu um TDEX?


E foi assim,
quando convidado para tedexar  no evento, confesso,
 
 eu nem sabia bem que objectivo, e que orgânica, estavam por detrás da Organização. A primeira reacção foi,
vou pensar.
 
Depois uma espécie de cunha familiar ditou o resto. E pensei: mas que raio vou eu com o peso da idade dizer aquela gente?
Percebi depois que era muita gente. E levei um dia a interiorizar:- dizer o quê e para quê?
 
De repente dei-me conta que me estava a ser feito um desafio. E aí, à citação, respondi:
 
 OK, porque não (?!).
 
E por isso, amigos, levarei a minha idade àquela gente ávida de saber as veredas tortuosas do  empreendorismo(?!).
 
Tenho a impressão de que andamos a vender a ideia  de que todos os novos diplomados devem ser empreendedores,
Seremos um País de ambiciosos  capitalistas...sem trabalhadores que façam a sua parte.
 
Se alguém pensou que não falarei dos meus erros, misturados com pequenos êxitos: engana-se. Na vida aprendi muito mais com os inêxitos que com os êxitos. Êxitos ou inêxitos, o importante é saber processar, uns e outros.
 
Ser empreendedor é escancarar a porta para o desconhecido.
 Mas cuidado: agasalhem-se.Não vão apanhar uma pneumonia.
 
Lá estaremos, sábado.
 
Sf

 

«OS NOVOS MAIAS …& Comp.)

 

1-      Creio ter razões que não  escondem a razão da minha teimosia. É preciso insistir para não deixar desaparecer um património cultural, que, não sendo  nada negligenciável, sobreviveu a todos os «tratos de polé»  com que, obstinada e com intuito claro, bem se tentou distorcer a história de Ílhavo.Amigos  :«os ílhavos» são os «ílhavos» do passado, e não os pissocos do presente..E se não nos agarrarmos ao seu exemplo, «fomo-nos!!!». Et voilà …diria o Ega….O resto é «conversation» diria o meu avô «Gueira».

Não sei se hoje existem figuras em Ílhavo que consigam ombrear com a geração de vinte, e seguintes, que tinham atrás de si um património já rico. E isto de ter atrás de nós,alicerces profundos ajuda…

Para salvar todo esse património é preciso ir à luta. Ir à luta é acima trabalhar com afinco e sem complexos.

2-      A apresentação de Os Novos Maias na Costa Nova que inclui os Postais da Costa Nova, agradou-me. Vi interesse nas pessoas: - um interesse, talvez, fora do normal. Hoje os contactos com que me vão desinquietando o tempo, parecem provar o facto. Quando assim é:- é bom. Se em todas as circunstâncias teria valido  a pena, assim creio que ainda mais.

3-      Para a apresentação contei:

                   3-1- Com a dedicação da Dr.ª Helena Malaquias. Fez as últimas revisões (e devo dizer que me surpreendeu pela segurança com que o fez).«Ensaiou» o grupo Sénior da Fundação Prior Sardo, e fez uma apresentação do livro, a meu ver, muito criteriosa. Preocupou-se em explicar o que está lá, objectivamente, e não o que o autor subjectivamente pretendeu  insinuar(ou propor…talvez?). Saramago dizia que tinha sete revisoras para lhe catarem o texto. Claro, a responsabilidade era enorme. Mas por mim, cedo conclui que nisto de escrevinhar, chega-se a um ponto…. e tem mesmo de se passar o trabalho a outras mãos. Mantive com sucessivas revisoras, de trabalhos anteriores, acesas discussões.E oposição a vários entendimentos. Que me recorde, aceitei todas as objecções da Maria Helena Malaquias.O que diz tudo. Todas? Ah!...em algumas partes M.H. queria que o texto fosse (ainda!) mais exclamativo. E em dois ou três passos, eu discordei.

                    3-2 -O livro conta e enriquece-se com a ilustração da Sara Bandarra ,na capa. Eu gosto muito. Simples mas eficaz. Brilhante!... Há muito...muito a esperar da arte desta promissora descendente da família «Bandarra»

                    3-3- Dos Amigos Seniores já referi. Deram-se ao desempenho. E sem minha interferência (nenhuma!) lustraram a sessão com aquele que considero o meu melhor trabalho poético (?????),se é que consegui algum.
O Rui(Bela) como sempre presente.Vamos continuar a estar atentos aos seus trabalhos.
A todos o meu :-Obrigado.

                    3-4- Como sempre – e como gosto – faço as coisas, lanço-as… e nunca mais sei o que é feito delas. Por isso a AML foi preciosa na ajuda da recolha dos Postais e no seu ordenamento.

                     3-5- A atitude da CMI, na cedência ao CASCI, do auditório do MMI, foi um sinal muito positivo. A CMI deve olhar aos «novos tempos» avessos a «folclore» de obras sem sentido – e sem dinheiro! – e olhar mais para o imaterial. É preciso reencontrarmo-nos, uns com os outros, na conservação e preservação da nossa identidade, ultrapassando para tal as divergências clubistas, ideológicas (se é que há consciência do que isso seja). Positivo foi, com franqueza, o acerto da representante da Edilidade. Sóbria mas assertiva.

Pelo que, dito isto, hoje fico por aqui.

Certo é que há pontos a esmiuçar……   

SF

terça-feira, maio 06, 2014




  Memória...

Em 1970,um ano e tal após a morte de Mário Sacramento , encontrava-me convalescente e ainda acamado.A tentar sair vivo (esteve mais para o outro lado...) de uma grave, e até hoje inexplicável pancreatite aguda. Foi com surpresa que  recebi, no quarto, a visita de  Cecília Sacramento, acompanhada de uns indefectíveis amigos de MS. Com ele vinha minha Mãe.Vinham colocar-me a questão: era preciso organizar-se, no Illiabum, uma palestra sobre MS, vedando o caminho a uns próceres do sistema  salazarista, inimigos figadais de MS, em vida,  e que pretendiam, com a evocação publica,  lavar-se das tropelias que sobre MS, tinham praticado.

Por mim - via-se ! - era tarefa impossível, tal o estado de debilitação em que me encontrava. Mas concordando que era necessário fazer algo, indiquei duas ou três personagens, que, pensava ,ainda mais seguramente e qualitativamente poderiam fazer melhor do que eu.

Passados dias recebo de novo uma visita daqueles amigos, para me darem conta   da «nega» tida nas suas démarches. Era um tempo difícil, e nem todos aceitavam expor-se .Insistiram pois,de novo, apelando (e incentivando-me!) a por mãos à obra. Eu sentia-me fraco para trabalho de tal monta. Epara além disso, ainda  impreparado para tarefa de tal monta e complexidade..
Minha mãe em vez de me apoiar no não (!) ,como sempre, ajudou apelou à missão  e ao  desafio.

Bem...tinha de ser.

Pedi, então  para me trazerem para o quarto toda os livros  (e artigos) de MS.E, além disso ,os livros de Eça, que tinha no escritório, os de Fernando Pessoa (de que tinha pouco) e os de Namora (Cesário Verde,deixei para o fim).
E na cama comecei um martírio exigente. Ler MS como critico literário fez-me suar as estopinhas.Com Frederico de Moura (o médico que astuta e sabiamente tinha diagnosticado a pancreatite,e me visitava diariamente, troquei diversas opiniões. Em muitas observações FM, homem de uma cultura invejável, discordava de MS(no bom sentido),o que me permitiu uma melhor leitura.
Claro que a aproximação de MS a Eça,descortinando(?) uma estética de ironia, foi o meu primeiro passo(e talvez o mais fácil).Como o seria com Namora ou Redol para  o neo- realismo.

Mas a abordagem interpretativa de MS a Fernando Pessoa foi, lembro-me, um perfeito bico de obra.Reconheci que nem toda a critica foi receptiva à leitura do «Poeta da Hora Absurda».MS também(não foi difícil aí chegar) , não ficou muito satisfeito com o que produziu , queixando-se, de que escrito na prisão,sem poder fazer consultas suficientes (eu vi-me em situação algo semelhante, num certo aspecto, claro!), terá feito interpretações que sempre pensou corrigir. Por outro lado,era certo que  estávamos num tempo da descoberta (e eleição) de Pessoa, sendo ainda muita obra do poeta,desconhecida.
Bem,ao fim e ao cabo lá consegui(toscamente) abordar MS.
Entretanto,anunciada com antecipação a palestra, os «peralvilhos» recolheram a penates. E remeteram-se à expectativa, na esperança de que eu me não desenvencilhasse do oficio..
E o dia chegou. Magro e enfezado como um caniço bamboleante lá fui. Apresentou a palestra, se bem me lembro o Prof.Guilhermino.Que foi mestre de MS, de cuja inteligência guardava elogiosa referência :- o do melhor e mais inteligente aluno que lhe passara pelas mãos!!!!
Na primeira fila, sentou-se o palestrante a quem se goraram as intenções de se desinfectar. A sala encheu-se completamente. Frederico de Moura estava a postos para o desse e viesse...
Houve momentos difíceis.A palestra não poderia deixar de ser longa, e finda, travou-se animada troca de ideias com os presentes, muitos vindos de Aveiro.Claro.....
E lá me aguentei na «baldeação».´
Este esforço marcou-me. Porque me abriu portas ao interesse pelos nossos autores,e a uma leitura selectiva e informada.
Hoje, na abordagem (desafiante) de uma leitura de «Os Maias», não deixo de relevar a influência que MS e FM, tiveram, em despoletar, em mim, novas e continuadas abordagens, na leitura dos nossos maiores.
 
No Blog já um dia publiquei a palestra. Poderia ter corrigido muito do que lá disse.
Mas entendi que não o deveria fazer.
Tive um dia o prazer de abordar Oscar Lopes(que recebeu de Cecília um exemplar para apreciação),e ouvi com atenção a critica e elogios -que também os houve !-ao que fiz. E um dia tivemos oportunidade de discutir no Teatro Aveirense algumas posições.

Não me desculpo com a situação em que me encontrava.Poderia era não estar à altura do que fiz.

SF 2014



 

sábado, maio 03, 2014



E assim  se vão....


Ontem fui alertado para o falecimento do Armando(Quintino).
Nada que eu não esperasse, pois no ultimo almoço dei que a sua quebra de saúde era irreparável.
O Quintino era um dou últimos «Borboletas» que segue a lei da vida. Amigo de todas as horas sentia dele uma estima inultrapassável.
Nas inúmeras tainadas, o Armando era quem se encarregava de por a mesa(brilhantemente!) e quem se encarregava de lavar a louça. Fazia-o de um modo esmerado e carinhoso. Comia sossegado-salvo quando o José(Ançã) costumava intervir com as suas costumadas teimosias.
Era tão perfeito que a minha mulher dizia :
-Ai Armando ,se o meu homem ficar viúvo, venha tomar conta dele....

Pois é Armando:-foi pena não continuarmos a borboletear para sempre. Alcunharam-nos para nos chatear ...e a coisa pegou de estaca.
Vai amigo.Isto agora é um despacho.
Se OS encontrares por aí, dá-Lhes um grande abrtaço.
Até sempre ,companheiro

Senos Fonseca