quarta-feira, julho 30, 2014




 Até que o mar nos separe…

Razões de força maior, impediram-me, como contava, de estar presente ao lançamento do primeiro livro de Maria José Santana.
Apressei-me nesse mesmo dia, a dar, à autora, conta do impedimento. E a prometer que leria o livro, tão cedo quanto ele chegasse às minhas mãos. E que depois, com amizade, lhe daria a minha habitual e desassombrada opinião.
Creio que um grande problema com que se deparam os autores, em Ílhavo, é a falta de uma discussão acerca do que se vai publicando. Assim o autor terá imensa dificuldade em apreciar, no seu próprio interesse, o feedback dos leitores. E é claro. Há bons e maus trabalhos. E depois, sucede o vazio….o autor não sabe se lhe vale a pena teimar, e continuar a trabalhar, no sentido de fazer, mais  e melhor….

Vamos então à história de um amor galopante, que nasce, cresce… e fenece … como tantos que naquela altura (grande guerra) deverão ter morrido na praia. Durado apenas a emoção de um momento, em  que a intensidade da  realidade  que os rodeia, lhe recriam dimensões de eterna duração: para todo o sempre, como sói dizer-se. O que a realidade contesta.
E é verdade: o amor não se alimenta de tempo, mas de intensidade.
Maria José Santana escolhe um cenário para colocar as suas personagens (e fez bem … apelando à simpatia do cenário da pesca do bacalhau, sempre bem recebido pelos leitores tradicionais), sem contudo fazer sobreviver a sua história em episódios daquele historial. Não, aqui não há caldeirada…
A leveza do livro é patente. Poucas personagens (talvez poucas em demasia...),rapidez mágica na fase inicial da paixão, e depois, um talvez apressado esbatimento do provável (e ensaiado) conflito de cedências, para que tal amor sobrevivesse. O acto de posse amoroso, é um pouco forçado, pela caracterização (evolução) do conhecimento, nascido entre as personagens. E para meu gosto, rápido em demasia, um pouco em contraste com as figuras que (anteriormente) nos foram descritas. E teria sido certamente muito mais eloquente se acontecido entre o rolar dos calhaus na praia.
Lê-se bem o livro, o que é o mais importante. E a experiência abre as portas, à autora, para outros voos mais alargados e ambiciosos. Estamos claramente perante uma profissional da escrita. Talvez o que ainda não tenha chegado é a ousadia.
Parabéns MJS.

Senos Fonseca   

quinta-feira, julho 24, 2014





E a Ria...agora ...sorri...

Andava triste, triste comigo, a Ria.

Mas havia que refazer a joia centenária, o catraio do Tejo, o meu Costa-Nova.
 
Deu trabalho....
 
Mas desta vez houve um trabalho esmerado. O pintor do Moliceiros- o José Manuel - aceitou o meu repto. E «aproximou» a técnica da  sua pintura,à técnica apurada das pinturas do Tejo.



E ai está o Costa-Nova pronto a navegar ...e a deslumbrar.







A pintura (a técnica ) diz muito. E atesta  um facto primordial sobre :quem nasceu primeiro : o ovo ou a galinha?
Ou melhor :as pinturas naif dos Moliceiros,ou as pinturas elaboradas dos Varinos(primeiro), e das Fragatas depois ?

Deu-me um «cabo dos trabalhos» explicar isto, aos que por aí vão falando, e assoando-se à gentil ignorância.

Quem quiser passear no Costa Nova,  que marque vez















Gentilmente o José Manuel fez mais. E fez umas pinturas cá para o meu casebre,que Vos mostrarei, em breve. 

 
 
                                                             



      Depois vos direi...
      

               SF  Julho 2014

sábado, julho 19, 2014




Espesso silêncio..



Nesta primavera
Que   custa a nascer
O dia esvai-se
Entre o tédio
E o desejo aceso,
Num espasmo pardacento.

Fim triste
De um dia triste
Que se fecha  
Numa luz que dói.

O teu corpo
Desnudado
Despojado,
Aqui deitado a meu lado,
É o único sol
Que resta do dia.

Sedutor
Puxa- me para teu lado.
Apetece-me inclinar a boca
E entre beijos
Murmurar
As palavras
Que a mim prometi
Nunca tas dizer

Vá!.. deixa-me penetrar
A tua cintura;
Eu prometo tudo te dizer
Tão lentamente

         Como te penetro
         Lento...
         Oh! Tão lento...

Para  que  o meu corpo
Fique gravado em ti.
Morto
De tanto ser
E ter.

         E para que as palavras
         Mortas no espesso silêncio
         Que envolve
            O nosso amor

                    Restem vivas....


SF (in tempo)