sábado, junho 20, 2015



Canção da noite...

 

Noite  tardia

A entrar porta escancarada

Nos meus loucos

Sentidos,

Ainda despertos.

A penumbra cai sobre a ria

nesta hora morta de fim de tarde...

Penso em ti,

E na loucura das vezes em que

Me acordavas

Só para eu te dizer:

Dorme,

Que  eu deixo o meu coração

A teu lado:

Sei de cor

A côr dos teus olhos

Os embrulhos do teu cabelo

A quentura dos teus beijos:

Dorme---

E tu pousavas  as tuas mãos

No mais profundo de mim,

A procurar o caloroso alento

do meu corpo ardente.

 

 

Tu não saberás, nunca(!)

Amor...

Como hoje peno

O beijos  que  deixei  arder no tempo,

 E o tempo que não tive

para morrer  dentro de ti.

Assim era bom «adormecer»...

Meu coração

No teu aconchegado.

 

 

SF

 

terça-feira, junho 16, 2015


 

FREDERICO DE CERVEIRA

 Recebi de pessoa amiga(e minha parente) um exemplar de «Os Sucessos»,de 22 de Janeiro de 1921,em que em  na primeira e segunda página, se dava conta  do infausto acontecimento que foi a morte do distinto ilhavense, Dr. Frederico Cerveira.
 
 

 
Dr Frederico de Cerveira
 
  Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Frederico de Cerveira casou com a sua prima, D. Henriqueta Maia(filha do ilustre  Maia Alcoforado, dono do Palacete dos «Maias Alcoforados»).


                                                                    Brasão Dos Maias Alcoforados

 Distinguia a D Henriqueta ,o ser uma piedosa Senhora ,pródiga em ajuda aos pobres, deslocando-se semanalmente ao terreiro onde mais tarde se ergueu o Mercado Municipal, por Diniz Gomes.E nesse local distribuir esmolas aos necessitados que ali vinham esmoçar. E quando dava por falta de algum, a D.Henriqueta  mandava a esmola a sua casa .Por isso, no historial de Ílhavo ,esse terreiro foi por vezes conhecido, por «Chão dos Pobres», confundindo-o com a verdadeira história da Viscondessa de Almeidinha(outra prodigiosa  benfeitora).

Ora como referimos ,Henriqueta Maia casaria com Frederico de Cerveira. Este apoiava e incitava a sua Esposa para tão virtuosa acção. Refere «Os Sucessos`», que  Cerveira  era um desvelado protector da pobreza, que exercia às ocultas aquela sublime virtude, enxugando muitas lágrimas ,mitigando muitas dores ,levando o conforto a muitos lares sem pão. Era um bom e um justo!

Anualmente, em dia certo ,franqueava  os portões de sua casa, para aí oferecer um lauto bodo aos pobres da Vila.

Frederico de Cerveira conseguiria o que o seu sogro nunca conseguiu: ser Presidente da Câmara Municipal deÍlhavo.

Nas obras que à frente da Edilidade lhe são atribuídas, conta-se a estrada da ligação de Ílhavo à Costa-Nova.Importante via de ligação que muitos benefícios trouxe às Gafanhas, mas e também,  a toda a gente que diariamente se deslocava  àquela praia, para aceder á labuta das companhas-E para os muitos almocreves, que percorriam a mesma ao amanhecer, a reservar boa compra. E ao entardecer, por ela partirem com os seus burricos carregados da bela sardinha, depois de afagado o estomago com uma bucha , recobrado o ânimo de caminheiro das tortuosas e escuras  veredas serranas, com um bom copo de tinto bairradino ,cobrado no altar da loja de fim de linha da velha Ti Norta. Que os jericos ,esses !,tinham estagiado o dia no alpendre da boa velhota que lhes distribuíra fresca ração, retemperadora  das andanças das idas e vindas ,sempre em correria desbragada.

Ainda o céu não garimpara lá no serradio do Caramulo a iluminar o cuidador das almas, o  S. Giraldo, e passada a nova ponte do Juncal Ancho, era já um corrupio de gentiaga, que a pé, em conversa animada ,passo miúdo muito lesto, em grupo de conversados, procurava apanhar a primeira barca da alva, do Ti Labareda.  

Foi ainda a Câmara de Frederico de Cerveira que adquiriu o terreno  contiguo ao «Casarão dos Pinto Basto», onde mais tarde se instalou o Mercado Municipal.

Frederico de Cerveira foi, depois do cargo exercido, convidado para Governador Civil. E ainda  para Deputado da Nação, tendo recusado um e outro, pois não se sentia bem afastado da Família e das suas gentes.

O casal Henriqueta Maia e Frederico da Cerveira não teria filhos  e o seu Palacete foi parar às mãos do seu médico familiar Dr Ritto.


Ílhavo atribuiu, à rua que vai da Igreja  Matriz (antigo Passal),  a Alqueidão (desembocando no Palacete ), o nome de Frederico de Cerveira, assim o homenageando .Talvez muitos não saibam, contudo, é que nessa rua existiam dois pontões de pedra, em tudo  idênticos á chamada «ponte romana da Malhada», servindo para passar por cima do Rio da Vila.

David Rocha (excelente poeta ilhavense) dedicou-lhe poema enaltecedor

                       (....)

                    Ai quantos infelizes tornarão

                    A ir bater  à porta do Solar

                    Na ilusão que há-de vir ainda

                    Alguém na sua miséria atentar

 
                    Mas não encontram já seu Benfeitor!

                    E ali só vem a voz da eternidade

                   Dizer que aquela casa triste e só,

                   É um passado morto e uma saudade!....

SF



domingo, junho 14, 2015


AML   homenageada pelo CHIO.PÓ.PÓ

 
O Chio-Pó-Pó ,vestuta e original comandita, sarcástico -politiqueira, ficou nos anais do historial de Ílhavo .E nele perdurou como referência carnavalesca para mascarar de ridículo, o sério,  por vezes mézinha irónica,  purga de grande efeito.   

Nascido num tempo de agonia monárquica, o CHIO-PÓ-PÓ é hoje, depois de outros caminhos ensaiados(mas e também louváveis) uma Associação com um programa diversificado, sempre preocupada com uma intervenção de cariz marcada, e preocupadamente, interventora- cultural .

Na sua  ultima iniciativa(ontem ) trouxe ao palco para  render  justo destaque , a  ilhavense Ana Maria Lopes.E louvar com os seus amigos e admiradores ,o que aquela tem feito pela cultura ilhavense..

Antes de opinarmos sobre a homenageada, permitam-me que saliente como, muito salutar e original,que o CHIO-PÓ-PÓ ,nestas suas iniciativas ,junte aos «velhos da praia» -que já não trazem surpresas  nos gestos, nem nos feitos! -novas promessas..Gostei desta nova gente que envereda por uma  nova musicalidade, longe do facilitismo serôdio,desbravando novas experiências   onde o erudito se mistura com o novo ( bach com variações).E  até com o «novo» de criação própria, destes ambiciosos jovens.

Sempre acreditei que Ílhavo tinha(tem...) novos jovens capazes de ombrear com os «velhos.Não do restelo ....mas da cidade da nocha»».

Mais do que fazer o caixote do CCI, Ílhavo deveria ter-se preocupado  em criar bases de apoio para esta geração.  Apoiando merecidos autores, fosse no campo da escrita, musica ,teatro, cinema etc.. etc. Mas isso era uma nova visão politica. E de politicos, estamos conversados.....
Parabéns  CHIO-Pó-Pó...e continuem....  

Ah!...sim...voltemos à homenageada..

É sem duvida um case study esta AML. Numa terra em que a mulher não costumava assumir relevo fora de casa -assim mandava o cardápio da terrinha- a AML projectou-se com um natural (congénito..) interesse pelas «Marintimidades».

Não sendo uma criativa, é uma excepcional e metódica «reparadora de... ». Coleccionadora de «imagens», muitas vezes só registadas no sensório. É uma etnóloga  com clara vocação linguistica .
Gosta de colaborar...em certas condições, claro.

Foi até hoje a única mulher  Directora do Museu. E durante a sua vigência, fez esforços e conseguiu,  que o Museu  assumisse cada vez mais, o seu pendor marítimo. Esforçou-se por privilegiar na sua mostra uma certa componente do historial lagunar(nem sempre com rumo correcto, em nossa opinião). E mostrou às escancaras a sua predilecção pelo «Moliceiro», de que viria a editar um interessante livro, rara colecção de painéis que sempre lhe despertaram, curiosa e apaixonada atenção.
Conheço-a particularmente bem. Para lhe enaltecer as virtudes e criticar os defeitos.

Aqui há oito anos apontei-lhe um :
 - Gostava que escrevesses com mais paixão, menos sujeita ao descritivo da imagem...

Não sei se ligou a tal...mas que ela sabe que hoje escreve muito mais apaixonadamente as suas «marintimidades» não tenho-não tenho eu ,e ouvi-o de várias bocas- a menor duvida.

  SF


domingo, junho 07, 2015


 

Vá ...provas..provas....

 Objectivamente não tenho razões para ter certezas  no caso Sócrates.

Lamentaria(revoltava-me ) se verificasse, um dia, que Sócrates terá cometido os «crimes» de que é acusado, no julgamento público  da Comunicação Social. Que não do Tribunal .Esse ainda vem longe-
Enoja-me desde já:

         1- Este sistema judicial,que usa primeiro a Comunicação Social ,e só depois tenta provar as suas teses. E que lenta ,mas inexoravelmente ,vai vendo ruir as loucas e desconcertantes noticias que cede (de que modo ainda o não sabemos, mas saberemos....)  na ideia de com elas  comprar a opinião publica. Denotando claramente uma cobardia  indigna de um sistema judicial de um país civilizado.
Andam há anos a vasculhar a vida do arguido. E ainda não tiveram tempo de formular a acusação de um modo concreto, assumido.
Compare-se  este processo com a acusação feita á FIFA. Um dia acusou-se e ao outro difundiam-se provas claras e inequívocas.

         2- Assistir a muitos antigos aduladores de Sócrates, agora calados, parecendo ter medo de falar do dito, dentro ou nas «beiras», do partido.
Ainda um dia os hei-de ver ,de novo ,a levar Sócrates aos ombros.

Que fique claro: se fosse Sócrates, nunca - mas nunca! - aceitaria a pulseira. Custasse o que custasse. A dignidade não tem preço.
Se a conjura (a cavala) politico -judicial ,fosse isso mesmo ,e nada mais do que isso, a negação a qualquer ilusória concessão,era a maior prova de inocência.

SF

 

 

segunda-feira, junho 01, 2015


 
 
A Rádio Faneca a despertar ....sonhos...
Entre muitas outras coisa (boas!) que a Rádio Faneca trouxe, para lá do intercambio entre gentes e lugares, gerações a quererem recordar cruzando-se com outras àvidas de saber, movimento de caras novas à descoberta dos nossos becos ...etc.etc.  a Rádio Faneca trouxe  para o palco, a necessidade que há muito reclamo, da recuperação da chamada «Drogaria Vizinho». Provavelmente uma das três mais famosas construções, com farto historial,  de Ílhavo. Ou melhor. Atrevo-me a dizê-lo :  com o maior historial....
 
 
Casa Sousa Pizarro
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).
A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz(como o é a casa da Sr SALSA em Cimo de Vila), tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.
Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.
A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).
Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.
Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.
Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.
Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.
 
SF
(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).

A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz, tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.

Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.

A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).

Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.

Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.

Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.

Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.

SF

 

(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)