quinta-feira, outubro 08, 2015


 E agora ?

Compreendo mal as opiniões veiculadas pela comunicação social ,sobre o resultado das eleições do passado dia 4.E muito menos os Blogs que por aí correm,na «nuvem»
Contínua a fazer-se uma leitura, para mim absolutamente errada, das razões porque o PS foi derrotado.

Para mim é claro que o PS perdeu, não porque não foi capaz de ir buscar votos a um hipotético centro. Não foi buscá-los aí, porque aí, não havia nenhuns votos  para ir buscar.
Os votos que o PS perdeu foram

               Os que fugiram para o BE 

                E os que perdeu : nos que não votaram. (Convencidos que estavam, que o PS ,ao fim e ao cabo iria, se Governo ,fazer mais ou menos o mesmo, que o Governo da direita radical, tinha feito .

A linguagem do PS foi de compromisso.E com compromissos não se rompe para  buscar desmotivados. Ao não clarificar (de um modo decidido) que admitiria somar os seus votos aos votos de todos aquele que estivessem contra a coligação ,deixou sempre a duvida, de  que, afinal, se não viesse a ter a maioria, acabaria- malgrè tout - por se encostar à direita.

Claro que as esquerdas radicais ajudaram a encostar  o PS ás boxes. Numa coisa foram claros :o inimigo numero um dos radicais de esquerda era o PS. Juraram -oh se jurararam ! -  que não fariam acordos de governo com o PS, por haver linhas vermelhas intransponíveis .



Mas é claro como água, que os votos  no PS foram dos que não queriam acordo algum com a Coligação. Foram contra o Governo .

E assim, há que fazer (queira-se ou não !) uma soma dos votos que não querem este Governo nem esta política. E a maioria está  expressa nestes números : a maioria ,clara, está contra este Governo .
Não era nada chocante, então, que essa maioria governasse ,se...
E agora ?... ,perguntam-me alguns amigos..
Agora, respondo eu, é que o PS está numa posição onde tudo lhe vai ter de passar pela mão .
Para já  ruiu um tabu: finalmente o PC abriu a gaiola e soltou o passarinho :até pode participar numa governação....veja-se lá...O PC percebeu que a rua já não chega....

O BE fará o mesmo ....
E o PS vai saber exactamente o que pode fazer :

         - Ou arranja um intrincado problema a Cavaco (que o merecia  com a pressa mostrada na nomeação de Passos Coelho sem ouvir as restantes forças ,cuja soma de votos era maioritária)

         -  Ou coloca a coligação em lume brando ,apertando-a com uma tenaz na garganta, encostando-a permanentemente às cordas, socando-a valentemente quando  ela levantar, de novo, as garras contra o Estado Social.
Claro  que em sintonia com os partidos à esquerda, fixando com antecipação os pontos comuns  que justificarão o dia da rutura concertada.

Aqui está uma tarefa para a qual é preciso um hábil politico.

De resto, o problema do PS, é o problema de todos os Partidos Socialistas, numa Europa cada vez mais em crise. Estes partidos têm urgentemente de mudar de atitude e adaptar a sua linguagem e fins(e práticas...) aos novos desafios sociais. As posições estão extremadas: não há meio termo .A  luta vai ser entre radicalismos :

                   o da direita, cada vez mais servente do Capital (sem rosto ,nem bandeira)
                  e uma esquerda que  tem de romper com as hesitações  de um statuo de convivência, à espera que esse Capital se arrependa e converta. O que nunca acontecerá.

Pensar Marx, sem a experiência desastrosa do comunismo primário....Isso sim ,é fundamental...



SF

sexta-feira, outubro 02, 2015






Faláucia....só faláucia

Cai leve e fresca a tarde, num azul daqui avistado.Um azul mais pálido do que o habitual.
Sobre a ria parece pairar uma fina poeira que lhe retira nitidez.
De quando em quando,  um simples estremecer da brisa  alvorota a superfície lagunar.Que passos adiante, resta espelhosa, branda, suave.
Começa a entardecer. Lá fora, e em mim, aqui dentro.
Sinto o que vai por aí: uns pensando nunca se enganar, outos pensando que erram ,seja qual for a sua decisão.

Estas horas desenham-se inúteis, porque indefinidamente ansiosas. No meu interior a tempestade anuncia-se, nesta pretensão de me  fixar à superfície das coisas lucidas. Apetece-me colocar ali na lareira uns cavacos a rechinar, fechar a porta às notícias enxofradas vindas de fora, e consolar o meu interior.

Espero pela noite plácida, convivendo com a angústia, à falta de entretenga com a cama. Adivinho que terei pela frente  uma  lua amarelecida, quente, postada lá no alto celeste. Luz  de lamparina a querer iluminar o céu enevoado, onde  descobrirei uma ou outra estrela, tímida, a querer mandar-me qualquer mensagem.
Desassossegado, olho para trás,sem ter, sequer, saudades de nada.

Será isto ressaca de tédio provocada por ingestão excessiva, de tanta vacuidade, de tanta filáucia resmoneada, inócua, charlatã, desavergonhada.
Ou será que estou com medo de ver morrer a esperança ?

SF