sábado, janeiro 23, 2016


DE PRINCESA DO MOLIÇO….A RAINHA DO BACALHAU

( ODE à D Ana Maria, subjugado à distinta entronização )

 
De sossego
Carpia Ana, gostoso deleite,

Penteando suas ondias alouradas…

Batem á porta, forte,
Fortemente,

Gente boa não bateria assim…

 
Abre a porta devagar,
Devagarinho …

Espreitando quem forte batia..(pim!)
Daquele modo tão notado,

Estremece  com três gabões
Á sua porta encalhados…

 
Que quereis confrades meus,

Em  que  posso Vos servir,
Eu donzela de reforma bem merecida,

Que quereis de que vos fale
De  tantos saberes  que tenho de meus,

De bacalhau serei eu, assim, tão entendida?

 
Mercê sua, desejo o nosso

De Vos entronar rainha- boa,
Não nos pode levar a mal

De lançarmos  à agua, o isco
À neta do afamado  Pisco,

Bisneta da  arraisa Càloa.

 
Entrai ….confrades entrai.

Minha barra vos abrirei,
De saberes profundos escancarada.

Fainai…com o trol ou a zagaia,
Não importa o engodo que usais

Ser rainha por um dia, melhor que não ser nada.

 
Tirai-me medida a preceito
Tende cuidado na cinta
E não me apertais muito o peito,

Que quero ser rainha de preito.
Dai-me o vosso  bacalhau ai penduricado

Iguarias tais, vos farei, verei aí o meu jeito.

 

Acima, acima.. gajeiro
Acima ao  traquete real
Vai dizer ao povo rafeiro 
 - Rainha já temos, é do Urjal
Não é uma rainha qualquer

É a rainha do Bacalhau.
SF
    

sexta-feira, janeiro 22, 2016


E vai mais um

 

 Diluo-me na corrente  da vida
Que vai, passo a passo,

Levando o que resta de mim.

Uma coisa  por certa faço:
Vou indo …mas vou de frente.

Nunca virando costas
Ao desafio que é viver.

                       [Assim quero ir  até morrer.

 

Tenho como emblema,
 Ninguém o pode negar,

Que fui apodrecendo

Virando cada página sem desalento.
Nunca cantei por ser poeta,

Nunca fui pomba em procura da paz;

Lírico ou cobarde na hora de dizer não…

                                                         [ isso não!

 

Continuo a sonhar, amor (!)
Só que os sonhos me vão,

Dia a dia, fugindo por entre mãos.

Seguro  nelas, enfeitiçado
A rosa  rubra  que num dia

De amor nosso, inventado,
Colhi de Ti, era já madrugada.

 

Se eu morresse hoje, amor
A ria continuaria o seu fadário.

As gaivotas viriam livres, esvoaçantes,

Ver  o mar enorme, infindo (!)
Morrer na praia ao entardecer.

E eu deixaria de estar à tua espera,
Aqui, decentemente a apodrecer.

                                 [a mim próprio me iludindo

 
sf  22-01.2016