terça-feira, março 29, 2016




 Sim…simmm,  eu sei e aceito que estes actos ,podem ser , ingratos, imerecidos…e sempre discutíveis.

Os que não gostaram, têm pois, motivo para  dar largas ao seu protesto.

Por mim ,que nunca o pedi, nem fiz nada –mas nada !- para me pôr nos bicos dos pés, cumpre-me ,grato,agradecer .

Sei isso, assumo-o inteiramente, este acto de compromisso público com Ílhavo(e nada mais!...)  acarreta-me muitas mais responsabilidades. É,pois,um  desafio. Por isso gostei…

Durante a sessão comoveu-me ouvir determinadas apreciações, provindas de sectores que sempre  respeitei, mas que nem sempre respeitaram os meus direitos. Eu não mudei….isso é certo. Por isso estou feliz ,se é que neste emaranhado mundo, tal se pode ser, ainda que fugazmente.

E depois…

Eu que nunca joguei para o segundo lugar, ao ser-me atribuída a medalha de «prata», significa que vou continuar a ter de  lutar ,obstinadamente ,e a meu jeito, para ganhar num futuro –sem data- a medalha de ouro.

Obrigado pois,  a todos que intervieram na atribuição
SF


sábado, março 26, 2016


 

 
(que a ninguém lhe passe pela cabeça...)
 
O ESPELHO

 
Por detrás de cada espelho

Há um acumular de silêncios por explicar,

Pedaços de vida  amortalhada

Em tantos passos dados no ar .

 
Nos espelhos perdem-se os sonhos:

Estão lá coisas que não queremos mais ver

E não estão as que  já não existindo,

Gostaríamos que lá estivessem ainda.

 
No espelho tudo dói,

Tudo magoa,

Tudo desilude,

O espelho é como o vento

Que leva o bom

E deixa o que de mau vai restando de nós.

 
Fui espreitar, curioso,

Atrás do  meu espelho

Vi

Choro,sorriso ,lágrimas, olhares de dôr, sentimento,

Vi

Desalento, quimeras, mágoas molhadas, razões esmagadas

Vi

Amores perdidos, amores vencidos, labirintos criados no tempo,

Vi

Crueldade, desespero, desengano, palavras mordidas, derrotas marcadas,

Vi

Direitos ofendidos. tortura de silêncio interior, surdo lamento.

 

Dizem que as dores acabam com a sua morte

Só uma perdura , mesmo depois de morrer:

 A Ingratidão…

Desta tralha havia  muita, atrás do meu espelho.

 

Peguei  na tralha e estendia-a.

Fiz então dos braços

Mastros erguidos ao céu,

Mezena   e   traquete  cociados ,                     

Fiz das mãos estensulas  postas ao léu,

E entre eles desfraldei o mariato .

Atei o que vi  

No cordel imaginário do tempo.

Estava ali, eu!... de corpo inteiro,

Assim, nu , exposto ao vento.

 

Parti o espelho

Quero apenas me olhar

No espelho dos teus olhos

Ternos e profundos como o mar,

A não querer saber o que fui

Nem o que não fui,

Apenas saber o que ainda sou.

SF

 

 

segunda-feira, março 07, 2016


Et voilà….

Ainda ontem referia o mote: as coisas dão trabalho (muito!)  que não deixa de ser emocionante. E até, por vezes, reconfortante.

Pois hoje do meu colega Lauro Marques, que muito estimo ( Presidente da ADERAV) foi-me dada a noticia, de  que, no seguimento do meu livro João Sousa Ribeiro –O Pai da Pátria ,a CMA, por proposta influenciada (certamente da ADERAV)terá  finalmente ! atribuído, a uma artéria de Aveiro, o nome daquele ilustre Aveirense .Colmatando assim, uma falta inexplicável (ou talvez não !).

Deu-me os parabéns, que naturalmente com Ele reparti.

E aqui está. O esforço de trazer à memória tal figura, há muito esquecida, um vulto impar ,não apenas de Aveiro, mas de toda a zona Lagunar, valeu a pena. Quem não conhece a história de Sousa Ribeiro, não conhece a história Lagunar.

Espero que Ílhavo, de que foi Capitão–Mor, e onde tinha o seu palacete, em Alqueidão ,no qual sua bisneta tanto bem fez á População na época das pestilências, procure também uma Avenida para fazer jus ao seu nome, e,assim, agradecer o bem que fez a toda a população. (ver livro «João Sousa Ribeiro –O Pai da Pátria»-CASCi e ou «O Ilhavense».

SF

 

 

Fui para aprender…  e vim inquieto….

Levantei-me madrugada para embarcar para Lisboa, rumo à Sociedade de Geografia  onde contava ir aprender mais uma coisas sobre «Embarcações Tradicionais  do Tejo».Matéria onde ,nos últimos tempos ,me tenho vindo a embrenhar.

Grande desilusão minha.

 Sim, eu começo a estar habituado  a este «saber»  fotográfico, das redes sociais. Publicam-se umas fotos ,põe-se tudo   direitinho ,dizem-se umas coisas, umas  labercadas  caçadas aqui e acolá, e um dia, vem alguém e diz : ai aquele sabe muito de água fervida .Tem muitas fotos  - um acerbo –diz-se . O pior é que isto está a passar para os salões vestutos .  

 Claro que a ideia é apreciável: trazer os actores ao palco …e deixá-los discorrer ….Mas ,nesta ideia ficamos por «ontem »..

Outras vezes vertem –se os PowerPoint’s , mas não se aprofunda o conteúdo. Aquilo é tudo saber da máquina fotográfica. Ora esta não vê. Capta. Ajuda a ilustrar. Mas tem de haver uma cabeça que a leia interprete, e a integre num contexto  determinado.

Venho sempre descorçoado, amargurado.

Há anos numa destas jornadas, tive a oportunidade de mostrar que ao contrário do que durante séculos se pensou, o «Varino»-o célebre Varino ,embarcação emblemática do Rip Tejo  dos fins do Séc XVIII /Séc XIX, teve, a sua génese e concepção, no saber dos carpinteiros Lagunares. Publiquei as minhas averiguações, no 1º Volume das «Embarcações Lagunares»,hoje completamente esgotado, mas, constatei conhecido por vário presentes. Houve um nicho de mercado onde havia seis e foi uma corrida a acabar como stock.

Ora  ontem assisti, caladinho, a duas horas de explanação. Mas reagi-tive de o fazer- ,quando se afirmou categoricamente que a «Fragata» do Tejo ,nele nascera e só nele fora construída.

E como por acaso ia munido de fotos de Várias Fragatas a serem construídas –até!- no Canal das pirâmides, em Aveiro, mostrei-as para espanto daqueles Senhores, que só sabem evocar Lixas Filgueiras.
(embora o posta diga Canal da Ribeira ,eu admito que é lapso)
 
E ao evocá-lo parecem respirar e dizer :já sei tudo. Por cá há muitos seguidores  ….Ora Lixas Filgueiras, foi bom até certo limite, e apenas nos pontos que estudou. Não naqueles em que fez tiro ao alvo, certamente,concedo, por falta de tempo.

Há laços fortíssimos de ligação da Laguna ao Tejo. Não apenas nas nossas gentes, que desde o principio  de setecentos  já por lá fainaram , mas nas embarcações aqui  construídas e levadas para o Tejo :  a «ílhava» (que deu o «barco de água acima», o «Varino» do rio acima) ,depois Varino de carga, Canoas (enviadas) ,«Hiates» ,e claro ,as tais Fragatas,

Curiosa a pergunta que um assistente me veio fazer no final:

-e sempre era verdade que vinham de lá apenas conduzidas por dois tripulantes?

-verdade meu caro.E olhe :não foi só uma vez, que veio só um!!!!
SF