quarta-feira, outubro 05, 2016


5 OUTUBRO






Dia grande

1-      Faltavam minutos para assistir à Comemoraçãos do 5 Outubro,promovida pelo PS –Aveiro, quando fui informado, telefonicamente, da estrondosa vitória – a confirmação antecipada – de Guterres. Exultei.

Recordei o almoço com Guterres   há muitos anos (perto de quarenta),ali no restaurante D. Fernando, onde comemos uma caldeirada. Lembro-me dele  muito simples, de jeans e camisa ,ainda muito novo (penso que então usava um bigodito).E recordo ter rapidamente criado, com ele, uma empatia absoluta. Procurava então afirmar-se dentro da estrutura partidária. Discutimos a criação de um gabinete de estudos, aqui em Aveiro.

Recordo uma qualidade que logo ali, num primeiro contacto, antevi:  um homem onde sobressaía uma profunda e metódica  postura, procurando uma afirmação diferente, num tempo que começava a ser necessariamente diferente do período revolucionário..

Quando abandonou «o lameiro» da política à portuguesa compreendi-o perfeitamente. Aquele não era o seu modo de estar….E dito o que disse, retirou-se sem mais interferir na vida partidária. Sem ressaibos…

Hoje o País contrai com Guterres uma enorme divida. Portugal passará, tenho a certeza, a ter uma outra imagem. Guterres é garantidamente um político ,um melhor entre os melhores.ortugal sairá dignificado e apontado pela sua acção.

Parabéns a Guterres. Um individuo superior. Superioridade que resistiu a umas manobras provocatórias de uma Europa dirigida por mentecaptos. E onde um  dito  compatriota se vendeu ao inimigo para o derrotar.E assim  derrotar o seu  País. Claro: um militante do PSD.

A superioridade de Guterres evitou que a política mundial caísse num lameiro de jogadas que envergonhariam uma Europa rendida a uma novo reich dominador.Disposto a espezinhar os mais fracos e ou os distraídos.



2-      Gostei da palestra do Prof.Romero, que  evocou  figuras grandes  da 1ª República.

Ao encontrar na assistência o único resistente do antes do 25 de Abril, o republicano indefectível, J.Silveira ,lembrei-me dos muitos 5 de Outubro  que evocámos  por esse distrito fora (Albergaria, Estarreja, Aveiro ,Ílhavo),antes da Revolução dos cravos. E veio-me á cabeça a similitude com aquela geração de «novos» que fala hoje do 25 de Abril, sem terem uma visão vivida da revolução de Abril. Como nós não tínhamos, nesse tempo, da implantação de 5 de Outubro, ou do 31 de Janeiro, as únicas datas em que Salazar nos deixava piar. Recordei  com Silveira o busto da República que a D. Dadinha Lé tinha em casa, uma réplica notável da libertária República,  busto desnudo  que levávamos connosco para toda a parte, para simbolizar ao que íamos.

Éramos então a geração dos mais novos: Silveira, Sardo,Candal, eu e Neto Brandão.Que julgo será mesmo o mais novo.

Hoje estávamos lá só dois…..Até quando ?....

SF