sexta-feira, dezembro 02, 2016


A Zeca fazia anos....


O Mundo está pobre sem Ti…



Aquela criança

Sem mãe…

Ai! aquela criança.



Aquele menino

Que chora…

Ai! aquele menino.





Aquele velho

Sem casa…

Ai! aquele velhinho.





Aquela mulher

Que anda na vida…

Ai! aquela mulher.





Para quê

A roda-viva, de toda

Uma vida

Dada aos outros

Sem paragem para os teus?





Para quê sonhares demais

Sem perguntares

Se o sonho transcende

A morte?...

Se sem Ti haveria

Para «eles», ainda

Sorte?





Hoje já não se faz

Fazendo…

Hoje faz-se… fazendo

Que se faz.

Não importa

Que cada vez

Sejam mais a precisar…

Já ninguém sonha

Como sonhaste…

Sempre a inventar,

Sempre a negar

A pequenez humana.





A perspectiva,

O sentido

Da fraternidade humana,

Hoje já não existe.

Nem hoje o vivem

Estes acomodados seres.

Já não se vive

Na perturbante inquietação,

Na dor envergonhada

De não ter mais nada

Para dar

Senão o vazio da mão.





A ria vai correndo para o poente.

Aqui,

Vou-me sentindo angustiado.

Não há verso, nem fogo

Que me aqueça.

Sinto-me cansado.

Nestes versos que a saudade consente

Sei que o «mundo» está pobre,

Sem ti.



SF 2 Dezembro 2016